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Em países onde as diferenças entre homens e mulheres são menores há menos pobres e o crescimento é mais rápido:

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Communiqué de presse n°:2001/253/S

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WASHINGTON, 8 de março de 2001--
Os países que promovem os direitos das mulheres e aumentam o acesso delas aos recursos e ao ensino têm taxas de pobreza mais baixas, crescimento econômico mais rápido e menos corrupção do que os países onde isso não ocorre, afirma um relatório do Banco Mundial recentemente publicado, EnGendering Development – Through Gender Equality in Rights, Resources and Voice.

Os países com diferenças menores entre as mulheres e os homens em áreas tais como a educação, emprego e direitos de propriedade não só têm menos desnutrição e mortalidade infantil mas as suas empresas e governos são mais transparentes, e o crescimento econômico é mais rápido – o que, por sua vez, também ajuda a reduzir ainda mais as diferenças entre os sexos.

"O aumento da igualdade entre os sexos está no centro da idéia do desenvolvimento, tanto quanto a liberdade, a ampliação das alternativas e o controle das pessoas sobre as suas próprias vidas" diz Nicholas Stern, Economista Chefe do Banco Mundial e Vice-Presidente Sênior de Economia do Desenvolvimento. "Este relatório demonstra que a educação, a saúde, a produtividade, o crédito e o bom governo funcionam melhor quando as mulheres participam".

Publicado no Dia Internacional da Mulher, quinta-feira, 8 de março, EnGendering Development é o estudo mais completo até agora sobre os vínculos entre o gênero e o progresso econômico nos países em desenvolvimento. As recomendações do relatório baseiam-se em pesquisa extensa e participação de grupos femininos, bem como numa consulta abrangente pela Internet sobre o seu primeiro rascunho e numa discussão das averiguações da pesquisa na Sessão Extraordinária da Assembléia Geral da ONU sobre Igualdade de Gênero, Desenvolvimento e Paz no Século XXI.

"As disparidades de gênero estão intimamente vinculadas com a pobreza", afirma Elizabeth King, a co-autora do relatório. "A diferença entre homens e mulheres em campos como os da saúde e da educação são maiores nos países pobres do que nos países ricos e dentro de cada país é maior entre os pobres. As experiências nas análises entre países e de estudos de caso demonstram que tanto o desenvolvimento econômico quanto as mudanças institucionais são necessárias para mudar a situação das mulheres.

A desigualdade entre os sexos prejudicam todos os membros da sociedade, não apenas meninas e mulheres. O relatório recomenda que as sociedades com altos níveis de desigualdade adotem medidas específicas para melhorar a situação das meninas e mulheres. Exemplos dessas medidas seriam assegurar igualdade de direitos à terra e a outros tipos de propriedade e a organização de infra-estrutura e de serviços como abastecimento de água, transportes, educação, saúde e crédito a fim de melhorar as necessidades das mulheres. Outras medidas incluem a eliminação dos preconceitos contra as mulheres no trabalho e aumento da participação feminina na política.

"As sociedades que discriminam com base no sexo pagam um preço substancial – em maior pobreza, crescimento econômico mais lento, governança mais ineficiente e pior qualidade de vida", afirma Andrew Mason, co-autor do relatório. "Embora o crescimento da renda e o desenvolvimento econômico sejam bons a longo prazo para a igualdade entre os sexos, só o crescimento não pode proporcionar os resultados desejados. As sociedades avançarão mais rapidamente se também adotarem medidas específicas para diminuir as diferenças entre os sexos".

Segundo o relatório, os países que reduzem as diferenças entre os sexos no que diz respeito ao acesso a recursos e oportunidades conseguem crescimento econômico mais rápido. Na África, por exemplo, a melhora do acesso das mulheres rurais aos recursos produtivos, inclusive o ensino, terra e fertilizantes, pode aumentar a produção agrícola em até mesmo um quinto.

Estudos entre países indicam que se o Oriente Médio e o Norte da África, o Sul da Ásia e a África Subsaariana tivessem sido tão bem sucedidos quanto a Ásia Oriental na redução das diferenças de sexo no ensino na década 1960-1990, o PIB per capita dessas regiões teria crescido 0,5 e 0,9 por cento mais rapidamente em cada ano, aumentos substanciais acima do ritmo em que essas regiões cresceram.

O relatório também confirma que as meninas e mulheres têm avançado muito nas últimas décadas. Por exemplo, nos últimos 25 anos, as taxas de matrícula das meninas na escola primária dobraram no Oriente Médio, no Sul da Ásia e na África Subsaariana. No último meio século, a taxa de esperança de vida das mulheres aumentou entre 15 e 20 anos nos países em desenvolvimento, a ponto de, pela primeira vez, na década de 1990, as mulheres no Sul da Ásia começarem a viver mais do que os homens.

Apesar desse avanço, as mulheres continuam a ter menos controle do que os homens sobre recursos importantes. No Sul da Ásia, as mulheres só tem a metade dos anos de escolaridade do que os homens e as taxas de matrícula das mulheres nas escolas secundárias também são bastante desiguais. Na América Latina, a maior parte das chefes de família na área rural ou não têm terra ou têm propriedades muito pequenas e fragmentadas. O mesmo se aplica à África Subsaariana, onde as mulheres são grandes produtoras de alimentos. Por todo o mundo em desenvolvimento, as empresas administradas pelas mulheres são subcapitalizadas, carecendo de acesso ao crédito e usando menos insumos e maquinaria do que as empresas administradas pelos homens.

Além dos efeitos diretos sobre o bem-estar das mulheres e a sua capacidade de gerar rendas, esses fatores reduzem o podem das mulheres para distribuir recursos familiares e moldar decisões familiares básicas como quantos filhos devem ter. Essa falta de poder para influir sobre a distribuição dos recursos familiares tem um impacto negativo sobre o bem-estar das crianças. A falta de controle sobre os recursos também significa que as mulheres são mais vulneráveis nas crises pessoais ou familiares.

Na política, as mulheres continuam vastamente sub-representadas nos parlamentos nacionais e assembléias legislativas ou câmaras de vereadores, controlando menos de 10 por cento das cadeiras do parlamento na maior parte dos países. Na Europa do Leste, a representação feminina caiu de 25 para 7 por cento desde do início da transição econômica e política.

Alguns benefícios, tais como a queda da mortalidade infantil, melhor nutrição e menores taxas de fertilidade, já são bem conhecidos. O relatório demonstra como o impacto positivo da redução das diferenças de gênero também inclui menor taxa de infecção de AIDS, menos corrupção, maior produtividade econômica e crescimento mais rápido, resultados que não têm sido tradicionalmente vinculados à igualdade entre os sexos. Os países onde as mulheres têm maiores direitos e participam mais intensamente na vida pública tendem a ter empresas e governos mais limpos. O relatório nota que diversos estudos verificaram que, na medida em que a influência das mulheres aumenta na vida pública, o nível de corrupção diminui. Isto é verdade mesmo quando se comparam os países com o mesmo nível de liberdades civis, ensino, instituições jurídicas e níveis de renda.

O relatório apoia as iniciativas em andamento no Banco Mundial a fim de ajudar a reduzir a desigualdade entre os sexos por meio dos programas e projetos que apoia nos países em desenvolvimento. Outras atividades do Banco incluem:

· Educação: Nos cinco anos que terminaram em 2000, os empréstimos para educação de meninas atingiram US$3,4 bilhões. Os programas educacionais do Banco dão ênfase especial aos 31 países onde são maiores as diferenças entre sexo no ensino elementar e secundário.
· Saúde, nutrição e população: Até agora, o Banco Mundial emprestou mais de US$4 bilhões para apoiar atividades de controle populacional e saúde reprodutiva, em todo o mundo. Em 1999, dois terços dos empréstimos para essas áreas incluíram medidas com vistas a promover igualdade entre os sexos.
· Programas de crédito e poupança: O Banco está integrando programas de crédito e poupança que atendem as necessidades femininas aos seus projetos em muitos setores e está colaborando com outros parceiros a fim de fortalecer os programas de microfinanciamento.


"Houve um avanço importante na área do gênero, nos últimos anos, tanto nas atividades do Banco Mundial quanto entre os países que nos procuram pedindo assistência", diz Karen Mason, Diretora do Banco Mundial encarregada de Assuntos de Gênero e Desenvolvimento. "Aqueles entre nós que trabalhamos com questões referentes à desigualdade dos sexos, orgulhamo-nos do que foi conseguido mas também estamos muito conscientes de quanto falta fazer. Esperamos que o relatório ajude os formuladores de política a entenderem mais completamente o papel das mulheres na promoção do desenvolvimento".

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O processo de consulta para o relatório

Uma série ampla de pesquisadores, formuladores de política e líderes de organizações de base nos países em desenvolvimento, organizações não-governamentais, representantes do setor privado e órgãos doadores foram consultados sobre este relatório. No início, os autores pediram a assistência dos membros do Grupo Externo do Banco Mundial, de Consulta sobre Questões de Gênero, a fim de ouvir observações e sugestões de grupos da sociedade sobre o conceito do relatório, por meio de listas de correspondência eletrônica. Entre 29 de maio e 30 de junho de 2000, travou-se uma discussão eletrônica que gerou mais cem contribuições.

Em 6 de junho de 2000, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mulheres, um grupo amplo de formuladores de política e militantes discutiu as principais averiguações e mensagens do relatório.

Além disso, a fim de ampliar as informações empíricas sobre gênero e desenvolvimento, os autores do relatório convidaram pesquisadores de dentro e de fora do Banco a contribuir documentos sobre tópicos selecionados. Esses documentos preenchem algumas lacunas da literatura sobre o tema. Muitos deles estão disponíveis no website do relatório: http://www.worldbank.org/gender/prr




Mais informações sobre o relatório e as atividades do Banco Mundial para comemorar o Mês Internacional da Mulher estão disponíveis do site do Banco Mundial no endereço: http://www.worldbank.org/



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