Utilizar a Tecnologia de Informação e Comunicação para proteger os cidadãos contra Desastres Naturais

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  • As alterações nos padrões meteorológicos estão a afectar os cidadãos nas cidades litorais em África
  • Os governos locais estão a recorrer à tecnologia para se protegerem contra futuros desastres relacionados com o clima
  • A participação de cidadãos por intermédio de tecnologias como mensagens SMS e SIG pode ser a solução para reduzir os impactos destes desastres

WASHINGTON, 27 de Junho de 2012—Em Fevereiro de 2000, fortes inundações deixaram milhares de pessoas sem-tecto na nação africana de Moçambique. A causa: um ciclone tropical e chuvadas intensas,    fenómenos que foram atribuídos pelos peritos aos efeitos das alterações climáticas.

Mais de uma década depois, o mês de Fevereiro de 2012 revelou-se como um mês tempestuoso para a nação insular de Madagáscar, com os ciclones Giovanna e Irina a castigar o país um após o outro, afectando mais de 300 000 pessoas e causando inundações, deslizamentos e danos graves a residências e estabelecimentos comerciais em todo o país.

Em toda a África, as cidades litorais estão a sofrer os piores efeitos dos riscos associados às alterações climáticas, como as inundações e as secas, devido à sua proximidade às costas ou a grandes superfícies de água. Com isto, os pobres urbanos são os mais fortemente afectados.

“As comunidades pobres muitas vezes irrompem nos locais pouco favoráveis e de alto risco em zonas de risco de inundação ao longo de rios e das costas, com infra-estruturas inadequadas e saneamento deficiente”, afirma Gaurav Relhan, um especialista de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na Região de África do Banco Mundial, e autor de um novo relatório sobre TIC, Cidades e desastres naturais em África, intitulado Municipal ICT Capacity and its Impact on the Climate-Change Affected Urban Poor: The Case of Mozambique.

São cada vez mais as cidades africanas que estão a recorrer à TIC para ajudar as populações a reduzir e, sempre que possível, prevenir contra os efeitos graves das emergências associadas às alterações climáticas.

Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG), por exemplo, estão a ajudar os governos locais a identificar em mapas as zonas em risco de inundação, a medir a vulnerabilidade de comunidades a inundações e a planear novas infra-estruturas de prevenção contra inundações, como sistemas de drenagem e diques. Através dos telemóveis, os cidadãos estão a receber alertas via mensagens SMS de ameaças de inundações ou ciclones. Os Sistemas de Alerta Precoce estão a simular padrões meteorológicos e a fazer previsões antecipadas de desastres. Estas ferramentas, segundo Relhan, podem desempenhar um papel crucial no aspecto fundamental de salvar vidas e reduzir os custos de recuperação.

Textos SMS alertam cidadãos

Em Madagáscar, onde o acesso a previsões meteorológicas actualizadas é limitado, as comunidades locais contam actualmente com abordagens de baixa tecnologia para ajudar a alertar sobre potenciais desastres. O sistema de ‘pregoeiro público’, administrado pelo Serviço Nacional para a Gestão de Risco e Desastres (BNGRC-National Bureau for Risk and Disaster Management), é no presente o principal sistema para alertar as comunidades rurais sobre o desenvolvimento de ciclones. Como parte deste sistema, um líder local desloca-se pela comunidade a tocar um sino e a vociferar avisos e instruções.

“As práticas culturais, apesar de frequentemente eficazes, nem sempre são suficientes para proteger os cidadãos contra os impactos dos desastres”, afirmou Doekle Wielinga, director de Gestão de Risco de Desastres da Região Africana do Banco Mundial.

Está a ser testada pelo governo de Madagáscar uma abordagem de tecnologia mais avançada. Utilizando um sistema de alerta baseado em SMS para proprietários de telemóveis (cujo número se estima em mais de 300 telemóveis por 1000 habitantes no país), o BNGRC envia mensagens para os líderes locais e operadoras de telecomunicações para alertar sobre ciclones iminentes.

“Distribuímos 1600 cartões SIM”, afirmou Raonivelo Andrianianja, gerente da Internet deste Serviço. “Mil e trezentos destes já tinham um menu configurado para facilitar o envio de informações para o BNGRC, e [foram] adaptados para o nível de educação nas áreas rurais”.

Segundo Andrianianja, responsável pela concepção do sistema SMS, o SMS está a ser usado para enviar alertas, para além de recolher informações sobre os impactos.

“Graças a este sistema, podemos agora monitorizar os impactos em menos do que 48 horas, bem como ajudar a identificar as áreas mais afectadas nas quais a população precisa de socorro imediato”.

Projectos do Banco Mundial

O Banco Mundial está a trabalhar em colaboração com o governo de Madagáscar para ampliar a utilização de TIC. Entre os projectos em curso destaca-se o Redução de Risco de Desastres e Adaptação à Alteração Climática e o Integração da Gestão de Alteração Climática e de Risco de Desastres no Desenvolvimento Económico. Ambos os projectos promovem a utilização de TIC inovativa, como o mapeamento geo-espacial e a tecnologia de fonte aberta, bem como tecnologia mais convencional como o sistema BNGRC SMS.

Em Moçambique, o novo relatório do Banco Mundial está a analisar os impactos dos sistemas de TIC e a sua eficácia para os pobres urbanos.

“O relatório visa capturar o impacto da TIC a nível municipal nas comunidades pobres de Moçambique, avaliando em que medida a resiliência às condições climatéricas está a ser reforçada”, segundo Relhan. “Manifesta-se também a favor da co-participação dos cidadãos na governação urbana”.

Os projectos em Moçambique e em Madagáscar vêm juntar-se a outros semelhantes como o ‘Taarifa’, uma ferramenta baseada em telefones inteligentes que está a ser implementado no Uganda e no Zimbabué e que permite aos cidadãos alertar os governos de problemas locais de saneamento e drenagem; e a iniciativa ‘Map Tandale’ na Tanzânia, a qual mune os residentes locais com dispositivos de GPS para mapear as suas comunidades.

Tal como afirmou o especialista principal em governação do Instituto do Banco Mundial, Björn-Sören Gigler, numa publicação recente num blog: “as inovações em TIC são ferramentas poderosas para contribuir para a democratização do desenvolvimento e fazer com que os programas de doadores e de governos sejam mais inclusivos e sustentáveis”.

 




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