WASHINGTON, 31 de agosto de 2005 — A infra-estrutura melhorou na maior parte da América Latina e do Caribe durante a última década, mas a queda brusca nos investimentos no setor está impedindo o crescimento econômico, a redução da pobreza, e a capacidade da região em competir com a China e outras economias asiáticas dinâmicas, indica novo relatório do Banco Mundial. Segundo Infra-estrutura na América Latina e no Caribe: Desenvolvimentos recentes e desafios-chave, escrito pelas economistas Marianne Fay e Mary Morrison do Banco Mundial, a região está atualmente gastando menos de 2% de PIB em infra-estrutura, abaixo dos 3,7% do PIB gasto entre 1980-1985. Mas o gasto deveria atingir 4 a 6% por ano para que a infra-estrutura se mantenha no nÃvel dos paÃses como a Coréia e a China, que anteriormente estavam menos avançadas que a América Latina. "O progresso na América Latina e no Caribe tem sido geralmente mais lento que em outros paÃses de receitas médias, como a China", disse Marianne Fay, economista chefe do Banco Mundial em Infra-estrutura para a América Latina e o Caribe, e co-autora do relatório. "A América Latina e o Caribe agora está atrasada nas áreas de eletricidade, estradas e linhas de telefonia fixa, desempenhando-se comparativamente bem apenas nas áreas de telefonia celular e acesso a água potável e instalações de saneamento." De acordo com o relatório, o déficit de infra-estrutura diminui a produtividade e competitividade das empresas da América Latina, reduzindo o crescimento econômico. Os custos logÃsticos (transporte e armazenamento) são altos na América Latina e no Caribe, devido em grande parte à inadequada infra-estrutura de transporte. Esses custos são aproximadamente 10% do valor do produto nos paÃses industrializados, mas na região eles atingem desde 15% no Chile até 34% no Peru. O estudo argumenta que a região precisa incrementar os investimentos em infra-estrutura, tanto do setor público quanto do privado. Apesar de algumas expectativas, o investimento do setor privado jamais compensou a redução do setor público da década de 1990. E o nÃvel de participação privada tem diminuÃdo recentemente, com uma queda do valor dos projetos de infra-estrutura da América Latina e no Caribe com participação privada de $ 16 bilhões de um pico de $ 71 bilhões em 1998. Além disso, muitos paÃses e setores têm apresentado um pequeno investimento privado. Do valor do projeto total, 93% do investimento privado em infra-estrutura na região durante 1990-2003 foi para apenas seis paÃses (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México), e a maior parte em telecomunicações e energia. O relatório diz que atrair novamente o setor privado requererá marcos legais, regulatórios e institucionais mais fortes, contratações mais transparentes, e estruturas de financiamento inovadoras que façam com que os projetos tenham menores riscos e melhorem os retornos dos investidores. Muitos dos problemas da participação do setor privado, incluindo renegociação freqüente das concessões, têm aumentado devido aos acordos e controles de governabilidade imaturos. As melhoras nessas áreas também irão ter um impacto no sentimento público negativo quanto à privatização, agora amplamente generalizado na região, contribuindo a garantir que a qualidade, os nÃveis de serviço e acessibilidade sejam mantidos, particularmente para os grupos que estão em desvantagem. Destinar os subsÃdios mais à queles que realmente os necessitam também beneficiará os pobres. "A experiência recente na América Latina ilustra que os governos permanecem a cargo da provisão de infra-estrutura", manifestou Mary Morrison, co-autora do relatório. "Não só o financiamento público é à s vezes indispensável, mas o estado tem um papel essencial para jogar na parceria e supervisão dos operadores privados e proteção dos consumidores." O estudo apresenta novos dados do Banco Mundial que indicam que melhorando a infra-estrutura da região para o nÃvel da Coréia poderia resultar em um aumento do crescimento per capita de 1,4 a 1,8% de PIB, assim como em uma redução da desigualdade aproximadamente de 10 a 20%. Os pobres se beneficiam da expansão de infra-estrutura, devido a que o acesso à água potável, eletricidade e outros serviços melhora a saúde e a qualidade de vida, e também porque os ajuda a avançar economicamente. Contar com melhores estradas, por exemplo, significa um maior acesso ao mercado para pequenos lavradores e comunidades rurais. "Aumentar o investimento em infra-estrutura apresenta desafios consideráveis para os governos da América Latina e do Caribe", disse Fay. "Mas os potenciais benefÃcios merecem o esforço, tanto em termos de crescimento e competitividade, assim como nas oportunidades acentuadas e padrões de vida para os pobres da região." No acesso à água potável, a América Latina e o Caribe ultrapassa a média de receitas médias, assim como a China, tendo incrementado o acesso de 82% da população em 1990 a 89% em 2002. Além disso, a região tem uma maior penetração de telefonia celular que outros paÃses de receitas médias. Contudo, menos de um terço das redes de estradas está em boas condições e a região tem se posicionado atrás dos paÃses de receitas médias em capacidade de geração de energia. Contactos: Alejandra Viveros (202) 473-4306 Aviveros@worldbank.org Patricia da Camara (202)-473-4019 Pdacamara@worldbank.org |
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