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INVESTIMENTO ESTRANGEIRO E REMESSAS ULTRAPASSAM DÍVIDA COMO FONTES DE FINANCIAMENTO PARA PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO

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Comunicado de prensa Nº:2003/266/S


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WASHINGTON, 2 de abril de 2003 — Investimento estrangeiro direto e remessas de trabalhadores migrantes que enviam parte do seu salário para casa tornaram-se fontes de financiamento mais importantes para os países em desenvolvimento do que os empréstimos privados. Em 2002, os pagamentos da dívida privada foram novamente maiores do que os novos empréstimos e, conseqüentemente, os resultados líquidos dos fluxos da dívida privada foram desfavoráveis para os países em desenvolvimento, segundo um novo relatório do Banco Mundial, Global Development Finance 2003.

Essas mudanças têm conseqüências profundas para os países em desenvolvimento. O aumento abrupta e a queda abrupta nos empréstimos privados foram ingredientes cruciais na série de crises financeiras iniciada em 1997-98 com a crise da Ásia Oriental e que continuou com a nova rodada de problemas para a dívida latino-americana em 2002. Mais positivamente, contudo, a menor volatilidade dos investimentos estrangeiros diretos (EID) e das remessas está promovendo um ambiente mais estável para os países em desenvolvimento que aprenderam a viver com menos dívida externa.

"A queda nos empréstimos privados foi bastante abrupta em 2001 e 2002, quando a depressão causada pelo rompimento da bolha nos mercados de ações das principais economias estendeu-se à economia mundial", diz Philip Suttle, principal autor do relatório. "Financiamento via dívida para os países em desenvolvimento encolheu e não vai voltar rapidamente. A dependência excessiva de dívida tem sido um problema para muitos países. No futuro, é possível otimismo cauteloso de menor volatilidade nos fluxos de capital para os países em desenvolvimento. Isso seria bom para o crescimento e para os pobres".

Segundo o relatório Global Development Finance 2003, os fluxos líquidos de dívida privada para os países em desenvolvimento - debêntures e empréstimos bancários - chegaram a um pico de US$135 bilhões anuais em 1995-96 mas vêm caindo continuamente desde então, tendo passado a ser negativos na maior parte dos anos desde 1998. Os fluxos líquidos da dívida de credores do setor privado foram novamente negativos em 2002 - os países em desenvolvimento pagaram US$9 bilhões mais da dívida velha do que receberam em novos empréstimos.

O IED líquido caiu do topo de US$179 bilhões alcançado em 1999 para US$143 bilhões em 2002 mas continua como a principal fonte de financiamento externo dos países em desenvolvimento. Os fluxos líquidos de carteira chegaram a US$9 bilhões, o que levou o total de fluxos de patrimônio (IED e carteira) para mais de US$152 bilhões. As remessas de trabalhadores alcançaram US$80 bilhões em 2002, bem mais, portanto, do que os US$60 bilhões atingidos em 1998.

Empréstimos líquidos dos credores públicos para os países em desenvolvimento foram positivos - US$16 bilhões - com outros US$32,9 bilhões fornecidos na forma de doações.

Apesar disso, em sua totalidade, os países em desenvolvimento conseguiram um superávit de US$48 bilhões na conta corrente com o resto do mundo, um aumento em relação aos US$28 bilhões registrados em 2001. Isso significa que os países em desenvolvimento continuaram a ser exportadores líquidos de capital. Esse aumento superou o registrado na América Latina, onde desvalorizações e quedas nas importações produziram aumentos abruptos nos superávits comerciais. A Ásia Oriental manteve o superávit de cerca de US$43 bilhões na conta corrente, enquanto os preços mais altos do petróleo tiveram efeitos divergentes em outras regiões.

A redução na dívida está sendo parcialmente impelida pelas preferências dos investidores. Os bancos e detentores de debêntures ficaram mais hesitantes em manter nas suas carteiras papéis da dívida de países em desenvolvimento. Por sua vez, as empresas não-financeiras, embora cautelosas e cada vez mais sofisticadas na sua avaliação de países específicos, reconhecem que um grupo crescente de países em desenvolvimento tem potencial de crescimento, segundo o relatório.

A dependência crescente de IED é geralmente positiva para os países em desenvolvimento, visto que os responsáveis pelo IED tendem a se comprometer a longo prazo e têm melhor capacidade que os detentores de títulos da dívida de tolerar adversidade de médio prazo. Muitos governos que antes levantavam empréstimos no exterior o estão fazendo, em vez disso, internamente, nos seus próprios territórios, com prazos menores. Embora isso reduza o seu risco de câmbio, a dívida de mais curto prazo aumenta os riscos das flutuações locais das taxas de juros bem como a relutância dos investidores locais em rolar a sua exposição em períodos de tensão, diz o relatório.

E muito embora o IED tenda a ser menos volátil do que a dívida, a sua estabilidade não pode ser garantida, tendo em vista que tanto os investimentos nacionais quanto estrangeiros dependem de um clima favorável para os investimentos.

"A passagem da dívida para o patrimônio ressalta a importância das iniciativas dos países em desenvolvimento no sentido de promover um clima favorável para os investimentos" diz Nicholas Stern, o Economista Chefe do Banco Mundial e Vice-Presidente Sênior para Economias em Desenvolvimento. "Nove décimos do investimento em países em desenvolvimento vêm de fontes internas. Mas a necessidade que os investidores internos têm de um ambiente de trabalho positivo é semelhante à dos investidores estrangeiros. Ambos procuram condições macro estáveis, acesso aos mercados mundiais, infraestrutura confiável e boa governança, inclusive limites sobre as pressões burocráticas e à corrupção".

Um clima positivo para os investimentos também é importante para a utilização eficaz das remessas dos trabalhadores. Em países com clima inadequado para os investimentos, é mais provável que as remessas sejam gastas apenas "para se agüentar". Mas nos países com clima favorável para os investimentos, é mais provável que os recipientes façam investimentos em fazendas e pequenas e médias empresas, que são essenciais para reduzir a pobreza. "Um clima atraente para os investimentos é importante para a utilização eficaz de todos os tipos de fluxos de capital, inclusive IED, remessas, assistência e dívida", diz Stern.

Como o IED, as remessas são uma fonte mais estável de financiamento externo do que a dívida. Com efeito, as remessas tendem a ser anticíclicas, acolchoando outros choques, visto que as recessões econômicas estimulam mais trabalhadores a migrarem para o exterior e os que já estão fora do país aumentam a quantidade de dinheiro que enviam para as famílias que deixaram atrás. Na maior parte da década de 1990, as remessas ultrapassaram a assistência pública para o desenvolvimento. As tendências recentes, inclusive maiores restrições às transferências informais e menores taxas bancárias significam que as remessas pelo sistema bancário deverão crescer.

Apesar da potência relativa dos fluxos patrimoniais e remessas, a adaptação aos fluxos menores de dívida privada implica um desafio para muitos países em desenvolvimento que têm dependido de empréstimos externos. Os US$9 bilhões líquidos que os países em desenvolvimento pagaram a credores do setor privado em 2002 vieram em cima de quase US$25 bilhões pagos em 2001.

Embora seja provável que o ponto mais baixo do atual ciclo de crédito tenha sido atingido no terceiro trimestre de 2002, qualquer recuperação deverá ser hesitante. Em sua maior parte, os fluxos líquidos de dívida para os países em desenvolvimento não deverão aumentar em 2003.

Mais amplamente, as perspectivas a curto prazo para os países em desenvolvimento continuarão a depender muito da situação dos países de alta renda, que por sua vez serão influenciados por fatores geopolíticos.

"A curto prazo - nos próximos seis a oito meses - muito dependerá dos fatores que estão além do controle dos formuladores de política nos países em desenvolvimento, diz Uri Dadush, diretor do Grupo de Perspectivas do Desenvolvimento." "A médio prazo, contudo, a melhora que os países em desenvolvimento conseguirem fazer no seu conjunto de políticas e no clima de investimento constituirá uma força potente para maior crescimento e redução mais rápida da pobreza", acrescentou.

Algumas perturbações resultantes das medidas militares no Iraque, inclusive um aumento temporário nos preços do petróleo, estão embutidas nas previsões, embora elas não prevejam deslocamentos duradouros. Com base nessas suposições, o crescimento no PIB dos países ricos deverá acelerar-se de 1,4 por cento em 2002 para 1,9 por cento em 2003, alcançando picos a médio prazo de 2,9 por cento em 2004, antes de cair para 2,6 por cento em 2005.

O crescimento nos países em desenvolvimento alcançou 3,1 por cento em 2002, um pequeno aumento de 0,3 por cento em relação à cifra de 2001. O crescimento foi limitado pela lentidão da recuperação nos países ricos e pelas incertezas financeiras e políticas em diversos mercados emergentes grandes. O comércio mundial só cresceu a uma taxa magra de 3 por cento, enquanto os preços dos produtos não-petrolíferos aumentaram 5,1 por cento.

Os fluxos líquidos da dívida foram muito fracos, especialmente para a América Latina, e o investimento estrangeiro direto, embora mais flexível do que a dívida, foi contudo US$29 bilhões menor em 2002 do que em 2001. O preço do petróleo pulou de US$19 para US$28 por barril no decurso de 2002. Para os importadores de petróleo, esse aumento mais do que compensou os aumentos dos preços dos produtos agrícolas e de metal. A previsão padrão projeta aceleração do crescimento nos países em desenvolvimento para 4 por cento em 2003 e 4,7 por cento em 2004.

Nos últimos 18 meses, o desempenho do crescimento foi bastante diferente nas principais regiões do mundo em desenvolvimento, principalmente por causa das diferenças nas condições internas:

  • A China continuou a fazer grandes avanços na produção - de cerca de 8 por cento em 2002 - apesar da relativa estagnação do Japão e da volatilidade da procura nos Estados Unidos. Isso ajudou a impelir a recuperação na Ásia Oriental. Juntamente com estímulos de política econômica em outros países, o desempenho da China levou a região a crescer 6,7 por cento em 2002.
  • No outro extremo, na América Latina e Caribe o crescimento foi inibido pela inadimplência nos pagamentos da dívida e pelo colapso bancário na Argentina, incerteza a respeito das eleições no Brasil, deterioração nas condições da Venezuela e conseqüente redução de US$31 bilhões nos fluxos do mercado financeiro. O PIB caiu 0,9 por cento no ano, o que representou uma queda abrupta de 2.4 por cento no PIB per capita.
  • Embora o crescimento lento na área do Euro tenha estendido um manto sombrio sobre as economias dos países em desenvolvimento a ela ligadas, uma forte recuperação na Turquia depois da crise de 2001 e avanços contínuos na Rússia e nos países da Comunidade dos Estados Independentes graças aos preços mais altos do petróleo estimularam o crescimento na Europa e na Ásia Centrais, regiões em que se registrou uma expansão de 4,1 por cento.
  • A continuação de procura vigorosa na Índia produziu crescimento de 4,9 por cento no Sul da Ásia, apesar das perturbações nas condições regionais vinculadas às tensões em torno do Afeganistão e entre a Índia e o Paquistão.
  • O crescimento foi lento tanto na África Subsaariana quanto no Oriente Médio e Norte da África, que registraram taxas de crescimento de 2,6 por cento em 2002.

O relatório explica que a variação de desempenho entre as diversas regiões esconde similaridades subjacentes no mundo em desenvolvimento. Tendo em vista a crescente integração dos países em desenvolvimento à produção, comércio e fluxos financeiros internacionais, atualmente os ciclos econômicos estendem-se a todo o mundo. As condições econômicas nos países ricos tendem a se refletir rapidamente nos países em desenvolvimento, graças aos maiores vínculos comerciais, à logística das entregas no momento exato, e ao maior entrelaçamento entre subsidiárias e fornecedores nos países de rendas médias.

Em 2003, as condições financeiras enfrentadas pelos países em desenvolvimento deverão ser um pouco menos sombrias do que no período 2001-2002. Projeta-se uma leve recuperação dos fluxos de IED e fluxos líquidos de fontes privadas levemente positivos, embora ainda bastante anêmicos. Como notado anteriormente, a projeção baseia-se na suposição de uma rápida conclusão do conflito no Iraque, com queda substancial nos preços do petróleo à medida que o ano de 2003 avançar. Ver quadros anexos




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