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Novos riscos decorrentes da crise global criam emergência para o desenvolvimento, afirmam o Banco Mundial e o FM

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Comunicado de prensa Nº:2009/320/DEC

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Mtuckprimdahl@worldbank.org
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Kwatsa@worldbank.org

WASHINGTON, 24 de abril de 2009 — A crise financeira global está pondo em perigo a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) e criando uma emergência para o desenvolvimento, advertiu um relatório do FMI-Banco Mundial divulgado hoje. Não é provável que a maior parte dos oito objetivos globalmente acordados seja cumprida, incluídos os relacionados com a fome, mortalidade materno-infantil, educação e progresso no combate ao HIV/AIDS, malária e outras doenças principais.

O Relatório sobre Monitoramento Global 2009: Uma Emergência para o Desenvolvimento (GMR) adverte que embora, com base nas projeções atuais, ainda se possa alcançar o primeiro objetivo de reduzir a pobreza extrema pela metade até 2015 com relação a seus níveis de 1990, sobejam os riscos.

De fato, novas estimativas mostram que em 2009 mais da metade de todos os países em desenvolvimento podem sofrer um aumento do número de pessoas em extrema pobreza. É provável que essa proporção ainda seja mais elevada entre os países de baixa renda e países da África Subsaariana – dois terços e três quartos, respectivamente.

Estima-se que outros 55 a 90 milhões de pessoas não escapem à extrema pobreza em 2009 em consequência da recessão mundial. O número de pessoas que sofrem de fome crônica deverá superar 1 bilhão este ano, revertendo ganhos no combate à desnutrição e tornando especialmente urgente a necessidade de investir na agricultura.

“Diante de recessões simultâneas que afetam todas as regiões principais, é muito real a probabilidade de recuperações dolorosamente lentas em muitos países, tornando o combate à pobreza mais desafiante e mais urgente”, afirmou John Lipsky, Vice-Diretor-Gerente do FMI.

A crise afetará todos os países em desenvolvimento nos próximos dois anos, devido à contração de volumes da exportação, preços mais baixos, redução do ritmo da demanda interna, diminuição das remessas e do investimento estrangeiro, acesso reduzido ao financiamento e encolhimento das receitas. Prevê-se que o crescimento do mundo em desenvolvimento caia para 1,6% em 2009, em comparação com a média de 8,1% em 2006-07, de acordo com as projeções do FMI. Além disso, projeta-se que a produção global se contraia a 1,3% este ano.

“Em âmbito mundial temos uma enorme perda de riqueza e estabilidade financeira”, afirmou Justin Yifu Lin, Economista do Banco Mundial. “Outros milhões de pessoas perderão o emprego em 2009 e será necessário prover financiamento urgente para redes de segurança social, infraestrutura e pequenas empresas nos países pobres para se conseguir uma recuperação sustentável.”

O Relatório sobre Monitoramento Global (GMR) adverte que, embora a crise requeira um enfoque especial nos programas e serviços de proteção social que protejam as pessoas pobres e vulneráveis contra dificuldades imediatas, é também vital acelerar o processo no sentido do comprimento das metas de desenvolvimento humano, especialmente as relacionadas com a saúde cujas perspectivas são as mais graves.

“A crise precisa de uma reafirmação do compromisso mundial com a promessa dos ODMs e atribui emergência adicional ao reforço de programas-chave nos campos da saúde e educação, tais como controle das principais doenças, incluindo HIV/AIDS e malária, fortalecimento dos sistemas de saúde e Iniciativa Acelerada de Educação para Todos (FTI), afirmou Zia Qureshi, autor principal do relatório e assessor do Banco Mundial.

INTENSIFICADO ESFORÇOS PARA ENFRENTAR A EMERGÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO – INDICADORES BÁSICOS

  • Os fluxos líquidos de capital privado para os países em desenvolvimento estão declinando rapidamente e poderão atingir em 2009 um nível de US$ 700 bilhões mais baixo em comparação com o ponto máximo de 2007.
  • Para preencher o crescente hiato financeiro nos países em desenvolvimento, os líderes do G20 concordaram em 2 de abril de 2009 em apoiar uma triplicação de recursos do FMI no montante de US$ 750 bilhões. Também apoiaram uma alocação geral de direitos especiais de saque (DES) equivalente a US$ 250 bilhões, US$ 100 bilhões dos quais irão diretamente para os países em desenvolvimento (US$ 19 bilhões para países de baixa renda). Será redobrada a capacidade de empréstimos concessionais do FMI para os países pobres.
  • O G20 apoiou um aumento de empréstimos de bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs) de US$ 100 bilhões, elevando-se o total a US$ 300 bilhões nos próximos três anos. Apoiarão o Esquema de Vulnerabilidade do Banco Mundial, que financia projetos de infraestrutura e programas de redes de segurança, bem como proporciona financiamento a pequenas e médias empresas.
  • Em 2008 a ajuda oficial proveniente da Comissão de Assistência ao Desenvolvimento, da OCDE, aumentou cerca de 10% em termos reais. Isso ocorreu após declínios em 2006 e 2007. Embora o aumento do ano passado seja bem acolhido, em 2008 a ajuda ainda estava cerca de US$ 29 bilhões abaixo da meta de Gleneagles de US$ 130 bilhões por ano até 2010, e a ajuda à África Subsaariana estava cerca de US$ 20 bilhões abaixo da meta de 2010 de US$ 50 bilhões por ano.
  • Em 2005 o número de pessoas que viviam com menos de US$ 1,25 por dia no mundo em desenvolvimento era de 1,275 bilhão ou 25% da população. A meta do ODM é reduzir pela metade a taxa de pobreza de 1990 (41,7%) para 20,9% até 2015. Considerando que, segundo projeções, a taxa de pobreza deverá cair para 15% até 2015, aparentemente a meta ainda será alcançada, mas essa situação poderá mudar à medida que a taxa de redução da pobreza diminuir com o declínio no crescimento. A África Subsaariana não cumprirá a meta 1 do ODM.
  • As iniciativas para cumprir as metas de saúde e educação do ODM devem incluir redes de segurança social fortalecidas, mais apoio de doadores, despesa mais eficiente e melhor alavancagem e participação do setor privado. Na África Subsaariana e no Sul da Ásia metade dos serviços em saúde maternal, reprodutiva e infantil, relacionados com o ODM, é prestada por entidades privadas (incluindo organizações da sociedade civil). No Sul da Ásia, 30% da educação de primeiro e segundo grau é ministrada por instituições individuais.
  • Os países em desenvolvimento precisam de cerca de US$ 900 bilhões (7% a 9% de seu PIB) por ano para manter a infraestrutura e iniciar novos projetos. No entanto, apenas metade deste montante é realmente gasto. O hiato de financiamento para novos projetos de infraestrutura aumentou em cerca de US$ 20 bilhões por ano à medida que recuam as perspectivas de financiamento do setor privado. Em resposta, o Banco Mundial está lançando uma nova plataforma de Recuperação da Infraestrutura e Ativos (INFRA) que poderia proporcionar pelo menos US$ 15 bilhões por ano nos próximos três anos para ajudar os países em desenvolvimento e proporcionar os alicerces de uma rápida recuperação da crise econômica global.
  • A fim de estabilizar as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, as últimas estimativas sugerem que um investimento adicional para combater a mudança climática requerido nos países em desenvolvimento oscilará de US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões por ano no período de 2010 a 2020 e aumentará, em média, US$ 400 bilhões por ano além de 2020.
  • É necessária uma decisão firme para cumprir a promessa do G20 de restringir o protecionismo, uma vez que vários membros do G20 não observaram seu compromisso assumido em novembro de 2008.
  • A crise do financiamento do comércio internacional será abordada no acordo de abril de 2009 do G20, a fim de assegurar a disponibilidade de, no mínimo, US$ 250 bilhões em financiamento do comércio nos próximos dois anos por meio de suas entidades de crédito para exportação e investimento e por meio dos BMDs, incluindo até US$ 150 bilhões em apoio à liquidez do comércio nos próximos três anos por intermédio do Fundo Comum Global para Liquidez do Comércio, da IFC.


Este relatório e materiais correlatos (incluído atualizações sobre o progresso rumo aos ODMs) estarão disponíveis ao público on-line imediatamente após a expiração do embargo no site: http://www.worldbank.org/gmr2009


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