Washington, D.C., 12 de Outubro de 2008 – Os Ministros Africanos das Finanças instaram os países desenvolvidos a manter os níveis de ajuda prometidos aos países africanos, apesar da volatilidade dos mercados financeiros internacionais.
Numa conferência de imprensa, realizada Sábado, 11 de Outubro, na Sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington, D.C., os Ministros Mousa G. Bala-Gaye da Gâmbia e Essimmi Menye dos Camarões e o Ministro das Finanças Interino do Quénia John Michuki afirmaram que os seus governos ainda estavam a estudar as possíveis implicações do colapso dos mercados financeiros com vista à preparação de medidas para mitigar qualquer potencial efeito dessa desintegração. Instaram os dadores a oferecer programas flexíveis em apoio dos esforços de desenvolvimento de África.
O Banco Africano de Desenvolvimento deverá organizar um seminário em Novembro para explicar de que modo a crise pode afectar África.
Michuki sugeriu que os problemas que os mercados globais estão a experimentar poderiam ter sido evitados, caso os países desenvolvidos tivessem aderido aos preceitos de gestão financeira do FMI. “Quem vai compensar os países inocentes que vão ser afectados por esta recessão?”, perguntou.
Referiu que o efeito da desintegração em economias de países tais como o Quénia iria depender das medidas que os seus principais parceiros comerciais, a Europa em particular, tencionassem tomar para conter a crise. Os ministros também levantaram a questão da voz dos países africanos nas instituições financeiras internacionais.
Bala-Gaye da Gâmbia disse que o seu país está a contar com um declínio do turismo face aos problemas económicos que os países desenvolvidos vão provavelmente experimentar e uma quebra nas remessas da Diáspora Gambiana que vive nesses países. O Ministro dos Camarões explicou o modo como os efeitos retardados da crise vão provavelmente afectar a economia do seu país, à medida que os preços das matérias-primas para exportação caem em virtude da procura reduzida nos mercados de exportação tradicionais.
Os ministros sublinharam que a crise realça a necessidade de os países africanos instituírem reformas destinadas a criar climas favoráveis ao investimento, sobretudo na agricultura, o que, por seu turno, conduzirá a um aumento da produção e auto-suficiência de alimentos. Destacaram a importância de se criar bens e serviços, ao mesmo tempo que se procura uma cooperação sul-sul entre os seus países, especialmente no domínio da partilha de qualificações técnicas e experiências.
Os ministros explicaram as medidas que os países africanos individualmente tomaram para lidar com a crise de combustíveis e alimentos. Destacaram a importância crucial do investimento em infra-estruturas e agricultura para se realizar o crescimento e desenvolvimento antevistos para as economias africanas e solicitaram aos dadores que se centrassem nos dois sectores, como uma questão de prioridade.
Os ministros afirmaram que entre as vantagens das Reuniões Anuais se contava a oportunidade de interagir e de escutar cada um, bem como analisar programas já em curso, que faz parte do seu compromisso como partes interessadas.
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