Washington, DC, 26 de dezembro de 2007 – O Banco Mundial estima que a economia da região da América Latina e do Caribe crescerá em torno de 5,1% em 2007, um índice superior à previsão anterior de 4,8%, mas prevê um pequeno declínio em 2008, devido à estabilização dos preços das commodities e ao impacto da desaceleração econômica nos Estados Unidos. De acordo com o Banco, embora os países exportadores de produtos básicos tenham se beneficiado da alta de preços, outros países da América Central foram fortemente afetados porque são importadores líquidos de alimentos e energia.
"A boa notícia é que há boas notícias sobre a América Latina", afirmou Pamela Cox, Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, durante reunião de final de ano com a imprensa, em Washington. Cox acrescentou que a região continua bem preparada para enfrentar a crise no setor de empréstimos hipotecários desencadeada nos EUA. "A América Latina encontra-se em uma posição muito melhor do que no passado. Os países apresentam bons superávits externos e observamos também o fortalecimento das políticas orçamentárias e financeiras, o que torna a região muito mais capaz de enfrentar dificuldades do que anteriormente", enfatizou.
No entanto, Cox explicou que ainda não está claro "qual será o impacto da crise nos outros países do mundo" e alertou que ainda há perigos que ameaçam a região, particularmente "para os países que têm fortes vínculos comerciais com os EUA e aqueles que recebem grandes remessas de dinheiro desse país". Alguns efeitos já foram observados no último trimestre deste ano, ainda que apenas no México e na América Central, onde houve um declínio nas remessas feitas por imigrantes residentes nos Estados Unidos, especialmente de trabalhadores no setor de construção.
"De modo geral, estamos iniciando o ano de 2008 com uma perspectiva muito positiva sobre os avanços na América Latina e quanto ao papel do Banco Mundial na região", Cox acrescentou.
"Um pouco de competição é sempre bom", afirmou, referindo-se à criação do Banco do Sul. "Nenhum país precisa vir ao Banco Mundial somente para obter serviços financeiros", complementou. Quando o fazem é "porque facilitamos as soluções para o desenvolvimento, a ajuda e a assistência para resolução de problemas. Nosso papel na região não está associado apenas a recursos financeiros, mas também ao conhecimento, à experiência e ao apoio para abordagem de problemas e a implementação de soluções."
De acordo com Pamela Cox, o Banco Mundial difere dos órgãos regionais porque "somos uma instituição global e oferecemos uma perspectiva mais ampla, além de nossa experiência a nível mundial". Ela explicou que os países da região muitas vezes não desejam saber apenas como as outras nações latino-americanas operam, mas também sobre a China ou a Índia. "E vice-versa", acrescentou, "muitos países visitam a região para conhecer iniciativas adotadas na América Latina como, por exemplo, os sistemas de transferência condicional de renda. O Egito está cogitando isto, assim como a Indonésia, e a cidade de Nova York está implementando esse sistema."
Para competir melhor com outras regiões, como a Ásia ou o Leste Europeu, a Vice-Presidente regional disse que a América Latina deveria investir na melhoria da qualidade da educação, em pesquisa e desenvolvimento e inovação, bem como na redução do custo para fazer negócios. "A China investe 3% de seu produto interno bruto em pesquisa e inovação, já a América Latina como um todo despende somente 1%", concluiu.