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América Latina Não Deve Apostar Tudo Nas Remessas

Available in: English, Español
Press Release No:2007/121/LAC

Contatos:  Alejandra Viveros (202) 473-4306

Aviveros@worldbank.org

Stevan Jackson (202) 458-5054
Sjackson@worldbank.org

 

WASHINGTON, 31 de outubro de 2006 — As remessas de dinheiro dos trabalhadores migrantes são positivas para o crescimento e a redução da pobreza na América Latina e no Caribe (ALC), mas elas não substituem políticas acertadas de desenvolvimento nos países, afirma um novo relatório do Banco Mundial apresentado hoje.

 

De acordo com o relatório Close to Home: The Development Impact of Remittances in Latin America (Perto de casa: O impacto das remessas de dinheiro sobre o desenvolvimento na América Latina), o dinheiro que os trabalhadores migrantes enviam para seus países de origem tem ajudado a aumentar a taxa de crescimento, reduzir a pobreza e melhorar os indicadores de educação e saúde na região. No entanto, os benefícios gerados por esses fluxos de receitas vêm sendo em grande parte superestimados, sem levar em conta alguns de seus custos.

 

“As remessas representam um motor para o desenvolvimento, mas não constituem um substituto para políticas nacionais adequadas em seus países”, assinala Humberto Lopez, economista sênior do Banco Mundial para a América e o Caribe, e co-autor do relatório. “Embora seja positivo, o impacto das remessas sobre a pobreza e a desigualdade é, na maioria dos casos, bem modesto.”

 

Para cada um por cento de aumento na parcela de remessas, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a fração da população que vive na pobreza é reduzida em cerca de 0,4%. Além disso, estima-se que o salto de 1,6% do PIB nesses fluxos de receitas, entre 1991 a 2005, tenha levado a um aumento de 0,27% no crescimento do PIB per capita.

 

O relatório sustenta que as transferências de fundos dos trabalhadores se tornaram uma das principais fontes de financiamento para os países em desenvolvimento e são especialmente importantes para a ALC, que é a principal região receptora desses fundos no mundo. Em 2005, as remessas de dinheiro para a América Latina e o Caribe totalizaram cerca de US$48,3 bilhões. Em termos de volume, o México é o maior destinatário desses fluxos de receitas, tendo recebido aproximadamente US$21,8 bilhões nesse mesmo ano. A Colômbia está em 9° lugar, com US$3,8 bilhões, e o Brasil é o 11º, com US$3,5 bilhões.

 

As remessas são particularmente importantes na América Central e no Caribe. Em 2004, elas representaram 52,7% do PIB do Haiti, enquanto na Jamaica, Honduras e El Salvador elas corresponderam a cerca de 17%, 16% e 15% do PIB, respectivamente. As transferências de fundos para a Guatemala, Nicarágua e República Dominicana também ultrapassaram 10% do PIB.

 

  “As remessas de dinheiro ajudam as famílias pobres a enfrentar os choques econômicos negativos, aumentam sua poupança e mantêm as crianças na escola”, afirmou Pablo Fajnzylber, economista sênior do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, e co-autor do relatório. “Para maximizar os benefícios, os formuladores de políticas precisam aumentar os esforços para melhorar o ambiente de negócios, incluir os migrantes e suas famílias no sistema bancário e tratar das possíveis reduções na oferta de mão-de-obra e da supervalorização da taxa de câmbio real.”

 

Segundo o relatório Close to Home, o impacto das remessas sobre a pobreza e a desigualdade varia em cada país. No México, El Salvador, Guatemala e Paraguai, por exemplo, as famílias que recebem essas transferências de dinheiro pertencem às camadas mais pobres da sociedade, enquanto   em outros países, como o Peru e a Nicarágua, as remessas tendem a beneficiar mais a classe média. Da mesma forma, nos Estados Unidos, os dados do censo mostram que a maioria dos imigrantes do México e da América Central provém dos grupos com mais baixa escolaridade em seus países de origem. Por outro lado, os imigrantes do Caribe e da América do Sul tendem a possuir proporcionalmente um nível educacional mais elevado do que seus conterrâneos que não emigraram.

 

Os efeitos positivos das remessas abrangem a redução da pobreza, maior poupança, melhor acesso à saúde e educação, maior empreendedorismo, bem como estabilidade macroeconômica e redução da volatilidade e desigualdade econômica.

 

Alguns efeitos negativos incluem potenciais perdas de renda associadas ao fato de os migrantes estarem afastados de suas famílias e comunidades, porque as remessas não representam transferências exógenas mas um substituto para a renda familiar, que eles obteriam se não tivessem emigrado. Da mesma forma, as remessas de dinheiro reduzem a força de trabalho em seus países de origem, levam a uma supervalorização da taxa de câmbio real e, portanto, a uma diminuição da competitividade do país receptor.

 

A fuga de talentos também representa um custo importante, que afeta especialmente os países caribenhos. Trinta por cento da força de trabalho de muitas Ilhas do Caribe emigrou, em comparação com cerca de 10% nos países não-caribenhos da ALC. Mais de 80% das pessoas com nível universitário nascidas no Haiti, Jamaica, Granada e Guiana, moram no exterior, principalmente nos Estados Unidos.

 

O estudo salienta que, para aumentar o impacto positivo das remessas, é necessário dar continuidade aos esforços para reduzir o seu custo de transação. Além disso, os países precisam melhorar o clima de investimento, fortalecer o ambiente regulatório para as transações de remessas e aumentar o acesso aos serviços financeiros entre os migrantes e suas famílias, inclusive por meio de instituições financeiras de menor porte, como, por exemplo, as cooperativas de crédito e as empresas de microfinanças.

 

           

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Para obter mais informações sobre o trabalho do Banco Mundial na América Latina e no Caribe, visite: http://www.worldbank.org/lac

 




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