Paul Wolfowitz: O difícil caminho que Timor tem pela frente

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Timor-Leste tem um caminho árduo pela frente. Pelo menos 65.000 pessoas permanecem deslocadas na capital Díli, e outras 78.000 fugiram para os distritos. Não só muitas casas voltaram a ser queimadas e milhares tiveram de abandonar os seus lares, como também a confiança nas instituições do estado, incluindo a polícia e as forças armadas, foi severamente abalada.

 

A Austrália, a Malásia, a Nova Zelândia e Portugal foram rápidos em enviar forças para ajudar a restaurar a paz em Timor-Leste. Todavia a velocidade e a força da recuperação de Timor-Leste dependem quase na totalidade do povo e dos líderes deste primeiro novo país do século XXI.

 

O povo de Timor-Leste, que no passado tanta coragem demonstrou e tanto sofreu, não deve sofrer agora ainda mais em virtude de conflitos internos.

 

Timor-Leste solicitou à ONU o estabelecimento de uma comissão de inquérito para analisar a violência. Este é um primeiro passo importante. A sociedade timorense precisa de demarcar uma linha clara que indique que a resolução de conflitos por meios violentos não é aceitável na sua nova democracia.

 

Curar as feridas desta crise será um desafio substancial. É necessária uma abordagem abrangente à recuperação, uma abordagem que construa pontes entre a Presidência, o governo e instituições fundamentais tais como a igreja. É altura de deixar de lado os interesses políticos partidários – os líderes de Timor-Leste a nível nacional e comunitário precisam trabalhar em conjunto para curar as divisões da sociedade e estabelecer um novo curso para o futuro que sirva os interesses do país como um todo.

 

É importante que os líderes e que a sociedade de Timor-Leste reflictam sobre o que originou esta crise. A comunidade internacional deve igualmente avaliar os seus esforços e fazer as alterações necessárias aos nossos programas de assistência. Não nos podemos limitar a continuar as coisas como temos feito até aqui. É necessário um novo entendimento entre Timor-Leste e a comunidade internacional de modo a abordar as causas do conflito e a apoiar uma construção da paz a longo prazo.

 

Timor-Leste pode recuperar. O país já surpreendeu o mundo durante os últimos seis anos pela forma como recuperou da sua história traumática. As realizações dos últimos anos não podem agora ser perdidas. Algumas instituições públicas timorenses – tais como instituições de saúde e protecção social – estão a desempenhar um papel vital no que diz respeito a satisfazer as necessidades humanitárias da população. Esta prestação teria sido impensável em 1999, quando o estado tinha entrado em colapso. E a longo prazo temos já estabelecido um Fundo Petrolífero bem administrado, o qual irá garantir que as receitas para o país provenientes das reservas de gás do Mar de Timor são geridas de forma transparente durante as próximas gerações.

 

Os cidadãos de Timor-Leste a todos os níveis adquiriram novas qualificações e capacidades ao longo dos últimos seis anos, as quais lhes serão muito úteis para enfrentarem os desafios do futuro. Todos os agentes em Timor-Leste precisam assumir a sua responsabilidade pelo aproveitamento desta oportunidade para uma recuperação pacífica.

 

O Banco Mundial, juntamente com o resto da comunidade internacional de parceiros de desenvolvimento, está pronto a dar a sua ajuda em qualquer forma que esteja ao nosso alcance. A oportunidade para uma abordagem unida em prol da paz e da recuperação pode não voltar a surgir.

 

 


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