13 de Dezembro de 2006—O Banco Mundial duplicou os fundos para a luta contra a malária nas regiões de África mais flageladas, com a aprovação, na Terça-feira, de USD 180 milhões para o combate à doença no país mais populoso de África, a Nigéria.
A nação rica em petróleo, com uma pobreza generalizada, concentra 20% dos casos mundiais de malária – cerca de 110 milhões por ano numa população de mais de 130 milhões. A doença é responsável por quase 29% das mortes de crianças e por 11% das mortes de mulheres grávidas.
“A malária é, provavelmente, o maior inimigo da saúde pública na Nigéria”, afirma Ramesh Govindaraj, Especialista Sénior em Saúde do Banco Mundial e Chefe da Equipa de Trabalho do Projecto de Reforço do Controlo da Malária na Nigéria.
“E o número de casos na Nigéria é impressionante, ao ponto de, se se aceitar o desafio de responder com seriedade ao problema da malária em África, se devia ter a certeza de que se fez um bom trabalho na Nigéria.”
A doença transmitida por mosquitos tem impactos económicos “enormes” em termos de absentismo no local de trabalho, para além do impacto nas famílias quando o responsável pelo sustento familiar está demasiado doente para trabalhar. O problema afecta negócios e, eventualmente, todas as famílias e indivíduos do país, refere ele.
Os USD 180 milhões em empréstimos sem juros da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) destinam-se a um projecto de cinco anos que vai apoiar o programa do governo de reduzir a metade, até 2010, o número de casos de malária na Nigéria.
O Projecto de Reforço do Controlo da Malária na Nigéria faz parte do Programa do Banco de Reforço do Controlo da Malária em África, lançado em 2005, para reduzir a malária em cerca de 21 dos países de África mais gravemente afectados pela malária.
Antes do anúncio da Nigéria, tinham já sido comprometidos USD 177 milhões para 10 projectos na República Democrática do Congo, Eritreia, Níger, Zâmbia, Burkina-Faso, Etiópia, Benin, Senegal, Malawi e a Bacia do Rio Senegal como parte de um Projecto de maior dimensão de Infra-estruturas da Bacia do Rio Senegal, abrangendo o Senegal, Mali, Mauritânia e Guiné. O programa está actualmente em vias de comprometer até ao fim de uma fase intensiva de três anos, que termina no ano fiscal de 2008, um montante de USD 413,5 milhões de uma meta total de USD 500 milhões.
“Malária-Plus”
O projecto tem como objectivo central ultrapassar as desigualdades no acesso aos serviços de saúde em todos os estados da Nigéria e ainda “ir além da malária” no sentido de resolver uma série de doenças infantis e relacionadas com a gravidez, melhorando assim os resultados da saúde para as crianças com menos de cinco anos e para as mães grávidas, esclarece Govindaraj.
“Se queremos realmente reduzir a malária, precisamos de muito rapidamente de forçar um aumento irreversível do apoio que se destina especificamente à malária. E isso irá significar um salto nas melhorias que precisam de ser feitas relacionadas com os sistemas,” referiu.
Cerca de 40% dos USD 180 milhões destinam-se à compra de produtos, tais como tratamentos anti-malária que combinam o uso de uma nova droga, a artemisina, bem como métodos de prevenção como é o caso de redes para camas tratadas com insecticida e a nebulização de ambientes interiores.
Os outros 60% vão apoiar os esforços do Programa Nacional de Controlo da Malária do governo nigeriano destinados a incrementar os sistemas fiduciário e de saúde a nível federal, estadual e local para o combate à malária, a par de outras doenças que são fatais para as crianças e mulheres grávidas.
O Banco refere-se a este esforço como um pacote “malária plus” de intervenções novas e inovadoras que inclui a imunização, a gestão integrada de doenças infantis /IMCI) e cuidados pré-natais para as mães grávidas. Govindaraj afirma que, comparativamente a intervenções exclusivamente específicas para a malária, por um custo extra razoavelmente insignificante se espera que o pacote malária plus venha a praticamente duplicar o impacto nos resultados na saúde das crianças com menos de cinco anos e das mães grávidas.
Medir o Sucesso
A movimentação no sentido de uma expansão maciça dos serviços de saúde complementa as actividades de outros membros da Parceria para Redução da Malária na Nigéria, incluindo o Departamento de Desenvolvimento Internacional do R.U., Agência Internacional de Desenvolvimento dos EUA, UNICEF, Organização Mundial de Saúde, Population Services International, Exxon Mobil e Harvest Field Ltd.
O Programa Nacional de Controlo da Malária do governo federal irá coordenar o programa e prestar orientação sobre políticas e assistência técnica e os governos estaduais, individualmente, serão responsáveis pela execução do programa nos seus estados.
O Banco está também a envolver o sector privado sem fins lucrativos e o privado com fins lucrativos, especialmente os vendedores de patentes médicas, e a reunir todos estes grupos sob um enquadramento comum “para tentar mudar algo na malária”, observou.
O Banco efectuou um inquérito inicial “muito detalhado” em sete estados da Nigéria para que os resultados pudessem ser medidos com rigor, à medida que avança o projecto de reforço do combate à malária.
“Estamos a levar muito a sério a monitorização e a avaliação deste programa”, afirma Govindaraj.
“Empenhámo-nos profundamente em mostrar que estávamos devidamente documentados sobre a prevalência da malária na Nigéria, que temos meios de a comparar à medida que executamos o projecto e, sem dúvida, no fim do projecto”, refere Govindaraj.
“A malária é um problema gigantesco que afecta muitas vidas em todos os estratos da sociedade”, acrescentou.
“O nosso alvo é ter a certeza que tentamos resolver os problemas relacionados com a eficiência e a equidade, de modo a que as pessoas por quem nos empenhamos – os pobres e os vulneráveis – recebam a assistência que merecem.”