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Novas cidades: fuga das selvas urbanas ou catedrais no deserto?

Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial: Geografia Econômica em Transformação
Disponível em: English, Français, Español

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Tentou-se criar novas cidades na Europa sem muito sucesso. No Reino Unido, o Relatório da Comissão Barlow de 1940 estimulou o interesse por novas cidades. Entre 1947 e 1968, a Grã-Bretanha criou 26 novas cidades para controlar o crescimento de Londres e estimular o desenvolvimento da Escócia e do País de Gales. Em 1965, a França adotou um programa semelhante – nove cidades, cinco na área de Paris e quatro em áreas atrasadas, foram construídas. Esses programas foram logo interrompidos e deixados de lado porque eram insustentáveis. As novas cidades nunca alcançaram a população planejada, nem contiveram o crescimento de Londres ou Paris. A experiência dos países em desenvolvimento foi ambígua.

Fracasso no Egito

O programa de novas cidades do Egito é o maior do mundo. Em 20 anos o Egito construiu 20 novas cidades e está preparando mais 45. O primeiro conjunto de 24 cidades foi inaugurado em 1974–75 como uma manifestação do compromisso político de conquistar o deserto e garantir o crescimento sustentável. Grandes zonas industriais foram criadas e generosos incentivos fi scais foram concedidos ao setor privado. A terra era  praticamente de graça. A “primeira geração†de novas cidades incluía seis pequenas cidades,a cada uma com sua própria base industrial e grandes metas populacionais.(a) Dez anos depois – em meados dos anos 1980 – o programa seguinte baseado em estabelecimentos satélite foi inaugurado, e nove estabelecimentos de segunda geração foram criados em torno do Grande Cairo. Uma terceira geração incluía cidades gêmeas perto das capitais
das províncias, como Nova Tebas.

O desempenho das seis cidades criadas 30 anos atrás sugere um registro ambíguo no melhor dos casos. As cidades mais próximas ao Cairo atraíram negócios e pessoas, embora muito menos que o esperado. As cidades distantes do Cairo (incluindo Sadat City, presumidamente a nova capital) continuaram sem atrativos para o trabalho qualifi cado devido à falta de serviços e de ligações de transporte. As novas cidades não têm mais que 1 milhão de habitantes (1% da população do Egito), comparadas com os 5 milhões planejados para 2005. O programa também foi custoso: 22% do investimento do Ministério da Infraestrutura sob o Quarto Plano (1997–2001) foi gasto com essas novas cidades. Isso vai aumentar se o governo continuar com sua política de desenvolvimento das periferias urbanas. A ênfase na atração do investimento não foi equilibrada pela necessidade de tornar as cidades atraentes para o trabalho qualifi cado e acessíveis a partir dos centros urbanos estabelecidos. Finalmente, a criação das novas cidades teve pouco impacto na descongestão do Grande Cairo. Sem recursos sufi cientes para atender as necessidades urgentes de infra-estrutura, as favelas do Cairo estão se alastrando.

Sucesso na China

A abordagem da China reconhece a necessidade de se criar cidades com acesso aos principais mercados e redes de transporte. Shenzhen foi a primeira zona econômica especial (ZEE) a ser aprovada por Deng Xiaoping em 1980. De uma pequena cidade de 30.000 habitantes, ela cresceu para 800.000 em 1988 e 7 milhões em 2000. Os novos residentes incluem os profi ssionais mais bem treinados do país, atraídos por altos salários, melhor habitação e oportunidades de educação para suas crianças. O PIB per capita aumentou mais de 60 vezes.

Shenzhen deve seu sucesso à proximidade de Hong Kong; sua conexão dentro da área e com outras cidades da China; e sua forma urbana:

  • Acesso aos mercados estrangeiros. A localização da ZEE perto da cidade de Hong Kong facilitou o investimento estrangeiro, a assistência técnica e o acesso aos mercados  estrangeiros.
  • Conexão dentro da área. Para distribuir os frutos do desenvolvimento, os limites do município foram expandidos para estender os benefícios da cidade para todos os trabalhadores. O hukou rural foi abolido no município, e todos os serviços urbanos tornaram-se acessíveis a todos os residentes. A localização da área urbana de Shenzhen na área do delta do Rio Pérola garantiu as melhores ligações possíveis com o interior e outros núcleos urbanos nas regiões do delta. As decisões complementares para facilitar a mobilidade e a integração incluem investimentos em infraestrutura de transporte e a mudança do sistema baseado em estradas para outro baseado em ferrovias.
  • Forma urbana funcional. O plano abrangente para Shenzhen antevê uma metrópole policêntrica que conecta a ZEE aos nódulos urbanos por meio de transporte eficiente.

Fontes: equipe RDM 2009, Stewart 1996 e Banco Mundial 2007b.

a. Notas: Anteriormente denominada Nova Ameriya. b. Por exemplo, Seis de Outubro tinha uma meta de população original de 500.000, que foi elevada no fi nal dos anos 1980 para 1 milhão, e atualmente é de 2,5 milhões. A população real é provavelmente inferior a 200.000.




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