Em 1978, o que hoje é a cidade de Dongguan na provÃncia de Guangdong, na China, era somente um conjunto de vilarejos e pequenas cidades espalhados por 2.500 Km2 no Rio Pérola, a meio caminho entre Guangzhou, ao norte e Shenzhen, e Hong Kong ao sul. A população da área de 400.000 pessoas vivia da pesca e da agricultura, e – apesar de não ser a mais pobre da China – não era especialmente próspera.
Hoje, aproximadamente 7 milhões de pessoas vivem em Dongguan. Mais de 5 milhões são migrantes que trabalham nos milhares de fábricas que pontilham a cidade, produzindo uma ampla gama de produtos em volumes tão imensos que recentes relatos da imprensa conferiram a Dongguan a alcunha de “fábrica do mundoâ€. A economia de Dongguan cresceu mais de 20% anualmente desde 1980, e em 2004 seu produto interno bruto (PIB) era de aproximadamente US$ 14 bilhões, maior que o da Islândia. Se forem incluÃdos apenas os residentes urbanos registrados (como nas estatÃsticas ofi ciais), o PIB per capita de US$ 9.000 em 2004 de Dongguan fazia dela a cidade mais rica da China. Mesmo se a população oscilante da cidade composta de trabalhadores migrantes fosse incluÃda, seu PIB per capita em 2004 ainda seria superior a US$ 2.000. O desenvolvimento de Dongguan desde os anos 1970, e particularmente na última década, exemplifi ca (talvez de maneira exagerada) as forças econômicas que estão moldando as economias de renda média da Ãsia Oriental (ver tabela do quadro). Sem dúvida, a localização e os preços de fatores favoráveis estimularam o crescimento precoce de Dongguan. Durante a primeira década e meia após o inÃcio das reformas na China, empresas pequenas e médias de Hong Kong e Taiwan foram atraÃdas a Dongguan pela oferta abundante de terras e de mão-de-obra pelo baixo custo, e pela sua proximidade de Guangzhou e de Hong Kong. Apesar desses fatores, o crescimento veloz de Dongguan nos anos 1990 pode ser mais bem compreendido por meio das economias de escala, seja na produção de bens intermediários seja na de produtos diferenciados, e dos efeitos de aglomeração, dentro das indústrias e entre elas. Combinado à redução dos custos de transporte e à melhora da logÃstica, o progresso tecnológico demonstra que tais efeitos emergiram como caracterÃsticas importantes da produção global. Localização, mobilidade dos fatores e economias de escala As economias de escala internas são óbvias. Em 2005, uma única fábrica em Dongguan produziu mais de 30% das cabeças magnéticas de gravação usadas em drives de discos rÃgidos em todo o mundo.Uma outra produziu 60% dos dispositivos educativos eletrônicos vendidos no mercado dos EUA. Uma terceira produziu quase 30 milhões de celulares, mais do que sufi ciente para fornecer um celular para cada homem, mulher e criança do Peru ou da República Bolivariana da Venezuela. 
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As economias de escala de aglomeração ou externas são igualmente visÃveis. Os efeitos de transbordamento do conhecimento e os custos inferiores de logÃstica gerados pela localização próxima aos fornecedores de insumos e aos exportadores produziu aglomerados de indústrias de importância global para tecidos de lã, calçados, mobÃlia e brinquedos. Mas o aglomerado que domina a paisagem industrial de Dongguan desde meados dos anos 1990 é o de telecomunicações, eletrônicos e componentes de computadores. De todas as partes e componentes usados na manufatura e processamento de computadores pessoais, 95% podem ter sido feitos na a cidade de Dongguan, e, para vários produtos, as fábricas de Dongguan representam mais de 40% da produção global. Contribuição de Shubham Chaudhuri. Fontes: Gill e Kharas 2007, quadro 2. |
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