A Terra possui muitos espaços vastos e inóspitos, mas poucos governos dedicaram tanta energia ao desenvolvimento desses lugares como fez a Rússia sob o governo soviético.
O esforço para desenvolver as áreas orientais da Rússia aumentou substancialmente sob o regime de Stalin. Uma industrialização forçada procurou deslocar a produção para o leste e criar novas bases econômicas no coração geográfico do paÃs. A igualização da massa econômica (especialmente industrial) por toda a Rússia foi vista como a solução para tornar o desenvolvimento uniforme no espaço. O “crescimento industrial equilibrado†permaneceu um slogan durante muito tempo. Nos anos 1930, as novas áreas receberam mais de 50% do investimento central, financiado principalmente pela expropriação da riqueza da agricultura. De inÃcio, as novas áreas absorveram somente capital. Os efeitos visÃveis apareceram durante a II Guerra Mundial, embora as zonas mais produtivas estivessem próximas ao fronte, como a Ural-Volga, onde foram colocadas 58% das fábricas removidas do oeste da URSS. A contabilização desse esforço centralizado e dirigido para repartir a massa econômica é deprimente. O geógrafo soviético Alexei Mints desqualificou como propaganda as alegações de que o investimento direcionado alavancava as áreas atrasadas e criava cidades “do zero†sob os planos qüinqüenais. A realidade era mais prosaica: a “abertura†dos campos orientais de matéria-prima coincidiu com o crescimento da manufatura no oeste. O deslocamento para o leste, escreveu Mints, ocorreu sobretudo na parte européia. Na realidade, até 1990 o geocentro demográfico e econômico da Rússia tinha se deslocado em direção ao leste somente até o rio Belaya na BachkÃria; oito das 11 zonas de tempo da Rússia ficam a leste do rio Belaya. A Sibéria industrial cresceu em termos absolutos, mas sua participação não excedeu um quinto sob o sistema de preços soviético que favorecia bens finais em detrimento de matérias-primas, transporte e energia (ver tabela do quadro). A infraestrutura social soviética se sobrepunha ao desenvolvimento industrial. Centros de saúde, escolas, instalações recreacionais, culturais, esportivas e de habitação comunitária – chamadas sotscultbyt – geralmente pertenciam a empresas. Essa sobreposição era especialmente evidente nas grandes companhias em áreas remotas, como a cidade transpolar de Noril’sk. Essa tradição foi combinada, de modo um tanto paradoxal, com uma redistribuição vigorosa de fundos entre os departamentos setorial e regional. Os lucros eram confiscados e depois devolvidos – não necessariamente ao mesmo lugar – em bens de capital e ativos. A participação das empresas sob a jurisdição exclusiva da União atingiu 70% nos governos Stálin e Brejnev. O governo central (Sovmin) controlava menos de 20% dos lucros industriais obtidos em solo russo. A desconcentração industrial, junto com as distorções do sistema de preços e uma corrida armamentista custosa, acabaria por derrubar o sistema soviético. No final dos anos 1980, tanto a elite quanto as massas em quase todas as áreas ou repúblicas alegavam suportar o pesado encargo de um paÃs que “alimenta os outrosâ€. O slogan do khozraschet regional (auto-reembolso e contabilização econômica) logo derivou para o separatismo polÃtico e contribuiu para o fim da União Soviética. 
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Após o colapso da URSS, a Federação Russa tornou-se mais integrada ao mercado mundial. A Rússia viu-se mais abundante em recursos, mas também menos povoada. A reavaliação de mercado dos recursos e ativos fez encolher a massa econômica das zonas e pólos distantes. A deterioração da infraestrutura não reduziu a distância econômica e, em certos casos, aumentou-a. Os serviços públicos ligados à indústria também ruÃram nos anos 1990, à medida que as empresas foram privatizadas ou transferidas das suas sotscultbyt para as autoridades municipais. Durante algum tempo no governo Yeltsin, as receitas dos orçamentos federal e regional/local eram oficialmente iguais (50:50). No entanto, nos anos 2000, as regras foram modificadas a favor da Federação (60:40 enquanto eram feitos os pagamentos da dÃvida externa, depois reduzida para 55:45). Mas as despesas permaneceram em 50:50 por causa do crescimento das transferências. Hoje, as relações financeiras centroregião são novamente baseadas no princÃpio da redistribuição, embora menos do que na época da União Soviética. Porém, a indústria hoje se baseia mais nos combustÃveis e nos materiais. Depois de décadas de planos de igualização, a economia conhece a ampliação das disparidades do produto per capita regional. Fonte: contribuição de Andrey Treyvish. |
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