| Reunião de Consulta sobre a PolÃtica de Divulgação de Informação do Banco Mundial BrasÃlia, 18 de abril de 2001 Em 18 de abril de 2001, o Banco Mundial realizou, em sua sede em BrasÃlia, reunião de consulta sobre a revisão de sua atual polÃtica de divulgação de informação. A reunião, que contou com a participação de representantes da sociedade civil, dos governos federal e estaduais, de acadêmicos e outros interlocutores, foi marcada por um alto nÃvel de franqueza e cordialidade e pelo caráter construtivo dos comentários e sugestões ali apresentados. O Diretor do Banco Mundial para o Brasil, Sr. Gobind Nankani, abriu a reunião agradecendo a presença de todos e tecendo algumas observações sobre o processo de consulta no mundo inteiro, o porquê dessa consulta e a metodologia utilizada. Em seguida, a Sra. Jane Armitage, Diretora do Departamento de Serviços Operacionais do Banco Mundial para América Latina e Caribe, fez uma exposição na qual delineou as principais mudanças à atual polÃtica a serem propostas à Diretoria Executiva da instituição, ressaltando que os comentários e sugestões colhidos seriam levados ao conhecimento da Diretoria Executiva, à qual caberá a decisão final sobre a nova polÃtica. Dois voluntários, dentre os participantes, contribuÃram para a organização dos trabalhos: o Sr. Nilson Figueiredo Filho, representante do Banco da Terra, no controle do tempo, e a Sra. Yára Eisenbach, representante do Governo do Paraná, no preparo das conclusões, que muito contribuÃram para esta minuta. Este documento procura sintetizar os principais comentários e sugestões colhidos durante a consulta e foi submetido aos comentários de todos os que estiveram presentes à reunião para quaisquer correções e esclarecimentos. Haverá um esforço no sentido de colher o máximo possÃvel de comentários de pessoas e organizações que estiveram impossibilitadas de comparecer à reunião mas que tenham interesse em enviar sua contribuição por escrito. Os resumos dos comentários proferidos durante a reunião de consulta, reproduzidos a seguir, não se encontram em nenhuma ordem especÃfica e devem ser tratados como tendo igual importância entre si. Este documento divide-se em três seções: I Comentários gerais II Sugestões III Questões para reflexão I - Comentários Gerais Três temas principais permearam os comentários dos participantes: (i) participação; (ii) acesso à informação e (iii) qualidade da informação (focalização, tradução e linguagem). (i) Participação: - Vários participantes consideraram a minuta de revisão da PolÃtica de Informação e Divulgação do Banco Mundial, apresentada como base para discussão, muito conservadora, mais preocupada com o sigilo, os interesses dos governos e o impacto das informações sobre os mercados do que com as necessidades e interesses da sociedade civil.
- A inclusão social ("empoderamento") dos pobres só acontecerá a partir do acesso à informação e da discussão prévia de seus interesses e anseios. Informação é poder; divulgação de informação é descentralização de poder.
- O documento de estratégia de assistência ao paÃs (CAS) deve ser discutido amplamente com os diversos setores da sociedade brasileira, e não apenas com o governo.
- As consultas sobre a CAS realizadas no Congresso tiveram um caráter informal.
- A demanda pela informação é importante na determinação da polÃtica, e a questão principal deve ser como melhor identificar e atender essa necessidade. A utilização da informação não deve entrar em consideração, pois as salvaguardas devem ser da esfera da lei e da justiça, e não da polÃtica de divulgação.
- Os empréstimos do Banco Mundial só se efetivam a partir de autorização do Senado Federal. Pela legislação brasileira, porém, o Senado apenas confirma o que foi acordado, não participando das discussões e da definição da estratégia do Banco no paÃs.
- Todas as operações que envolvem o uso de recursos públicos (no caso, financiamentos e créditos do Banco Mundial) devem ser divulgadas e discutidas com a sociedade civil antes e durante a sua elaboração. A divulgação apenas a posteriori pode vir a ser praticamente inútil.
- Quando é facultada a participação nas decisões, todo o restante fica mais fácil. Os orçamentos participativos são instrumentos poderosos nesse sentido. Por que não submeter à sua aprovação os projetos financiáveis pelo Banco?
- Há que se adotar uma polÃtica que equilibre o acesso à informação com seu uso responsável, para não prejudicar os projetos e o diálogo entre os diversos atores.
- Populações participam das pesquisas do Banco mas muitas vezes não recebem nada em retorno. Isso reforça a imagem de hermetismo e falta de transparência.
- Informações sobre projetos devem ser fornecidas durante todo o ciclo dos projetos. Atualmente, as ONGs e outras organizações interessadas "traduzem" informações para os beneficiários, pois os principais documentos são reservados.
- A divulgação deve ser a mais ampla e transparente possÃvel. Mesmo os projetos que não obtenham êxito devem ser divulgados, pelas informações e lições aprendidas e por tratar-se da aplicação de recursos públicos.
- Ouvir opiniões divergentes das do Banco e do Governo é importante, pois enriquecerá o debate e dará maior credibilidade ao trabalho do Banco.
- Por vezes projetos ficam paralisados, por pressões de grupos de interesse com pouca representatividade, em detrimento dos beneficiários e dos governos. O Banco é visto como muito suscetÃvel a pressões externas sobre sua cúpula.
- É preciso ter cuidado para que a divulgação de informação para um público amplo não resulte na "pasteurização" da informação.
- Ampla consulta é extremamente importante mas há que se ter cuidado com a duração do ciclo dos projetos para não inviabilizar a busca de recursos por parte dos governos.
- Da mesma forma, os Governos são os mais afetados e atingidos, tanto pelo uso inadequado de informações como pela divulgação de informações reservadas ou simplesmente equivocadas.
- Não se reduz a pobreza distribuindo coisas e sim com a participação das pessoas. Possibilitar acesso à informação é essencial para "empoderar" os pobres. Deve haver um equilÃbrio entre os diversos atores.
- Existem ótimos exemplos de programas do governo com um alto teor participativo, como o Comunidade Ativa.
(ii) Acesso: - Disponibilizar, na Internet, um documento resumido sobre cada projeto financiado pelo Banco, atualizado ao longo do ciclo do projeto.
- O público não tem acesso a documentos importantes. Só se divulga o que não é polêmico.
- A divulgação deve abranger nÃveis sucessivos de complexidade, incluindo não só documentos de fácil compreensão mas também maiores facilidades de acesso aos diversos interessados.
- Cuidados com o uso da Internet e com o aumento do fosso digital. Número de usuários da Internet ainda é pequeno no Brasil. Maioria não tem sequer acesso a computador.
- Necessidade de haver pessoas ("guias da informação") orientando os que precisam obter informação sobre as atividades do Banco.
- Falta de núcleos irradiadores nos grandes centros do paÃs. Banco precisa ampliar esses núcleos nas várias regiões.
- O Banco deve proporcionar maior acesso à sociedade civil para fazer o monitoramento dos financiamentos.
- A PolÃtica do Banco deve ser mais agressiva e privilegiar aspectos educativos em publicações dirigidas a certos públicos. PolÃtica de comunicação deve ser mais pró-ativa, não se conformando em apenas disponibilizar informações solicitadas.
(iii) Qualidade da Informação: - É necessário, antes de mais nada, identificar e separar os diversos públicos-alvo a fim de precisar melhor o nÃvel e a forma de prestar informação. Públicos diferentes requerem meios de divulgação e linguagem diferentes.
- A tradução de documentos e informações relevantes para o português é essencial.
- Mas não basta traduzir documentos para a lÃngua portuguesa; é preciso dar-lhes uma linguagem acessÃvel, levando em conta a capacidade dos vários públicos-alvo de digerir a informação (muitos beneficiários de projetos mal sabem, ou não sabem, ler).
- Evitar o uso de "banquês", que é apenas para os iniciados.
- Antes de produzir uma polÃtica de informação e divulgação, o Banco deveria procurar conhecer a demanda existente nos paÃses, ou seja, o que o público quer e precisa saber.
- Eventos difusos e com informação difÃcil de encontrar em tempo hábil.
II - Sugestões - Inclusão de componentes de divulgação e de comunicação em projetos.
- Inclusão de componentes de mobilização e organização comunitária nos projetos.
- Tradução do Resumo Executivo de documentos sobre os projetos (i.e., PADs e ICRs) e preparação de versões editadas, de mais fácil compreensão para os diversos públicos.
- Divulgação irrestrita de todas as atividades financiadas com recursos públicos.
- Racionalidade da divulgação de informação pela Internet Evitar sites pesados, que levam muito tempo para carregar e tomam tempo precioso do usuário.
- A preparação de sites de informação não deve ficar a cargo de especialistas em informática, e sim de especialistas em comunicação.
- Reunir em uma página, na Internet, a divulgação de eventos promovidos pelo Banco.
- Fazer estudo comparativo entre o quanto é gasto na produção de informação e o que se gasta, ou se pretende gastar, com a divulgação dessa informação.
- Processo gerenciado de "abertura do jogo" para que mudança não seja apenas cosmética.
- Adotar um modelo de e-mail semelhante ao da RITS informando o que existe.
III - Questões para reflexão - O que divulgar? Como divulgar? Como usar a informação?
- O Banco sabe que imagem quer projetar de si mesmo? Quer ser fiel à sua missão de trabalhar por um mundo sem pobreza? A definição dessa imagem é que deverá determinar a sua polÃtica de divulgação de informação.
- O Banco sabe no que está entrando quando propõe uma consulta aberta sobre sua polÃtica de informação e uma abertura das regras do jogo?
- Na dúvida, divulgue-se. Ter em mente que, se está escrito, será divulgado.
Lista de Participantes | | Nome> | Organização | | Ana Alice Costa> | UFBA / NEIM | | André Gualda | Ministério do Meio Ambiente – PPG7 | | Angela Furtado | Banco Mundial, Washington | | Antônio Augusto Neto | Ministério da Educação - Fundescola | | Antônio Ibañez | Universidade de BrasÃlia | | Antônio Magalhães | Banco Mundial, BrasÃlia | | Carmem Puig | SEAIN – Ministério do Planejamento | | Cristovam Buarque | Universidade de BrasÃlia / Missão Criança | | Ervino Schmidt | Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC | | Eugênio E. Peixoto | CONTAG | | Gobind Nankani | Banco Mundial, BrasÃlia | | Ilka Camarotti | Fundação Getúlio Vargas - SP | | Jane Armitage | Banco Mundial, Washington | | Ladislau Dowbor | Faculdade de Economia PUC-SP | | Lilian A. Marques | DIEESE | | Madalena dos Santos | Banco Mundial, BrasÃlia | | Marcelo Lacerda | Ministério do Meio Ambiente – PPG7 | | Mauro Azeredo | Banco Mundial, BrasÃlia | | Neide Silva | ETAPAS – PE | | Nilson Figueiredo Filho | Banco da Terra/MDA | | Osmar Terra | Secretário Executivo - Programa Comunidade Solidária | | Paulo Guilherme Melo Filho | Ministério da Fazenda – Secretaria de PolÃtica Econômica | | Sérgio Sauer | Assessor da Senadora HeloÃsa Helena | | Thereza Lobo | Comunidade Solidária | | Valdi Dantas | CEAPE Nacional | | Veronique Danforth | Banco Mundial, Washington | | Yára Eisenbach | CCPG – Governo do Estado do Paraná |
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