BM responde ao impacto da crise na América Latina

WASHINGTON, 13 de outubro de 2008 - Em uma iniciativa coordenada com instituições regionais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco Mundial e sua entidade encarregada do setor privado, o International Finance Corporation (IFC), anunciaram hoje que os países da América Latina e Caribe afetados pela crise financeira mundial poderão utilizar os fundos adicionais do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) - serviço de financiamento para países de renda média - e IFC para proteger empregos, progressos sociais e injetar liquidez em suas economias.

"O BIRD possui capacidade financeira para confortavelmente dobrar o financiamento anual aos os países em desenvolvimento e satisfazer a nova demanda. Os financiamentos do BIRD chegaram a US$13.5 bilhões no exercício passado", conforme o Comunicado do Comitê de Desenvolvimento, a entidade que gere o Banco Mundial e que é composto por ministros de finanças e desenvolvimento de seus países membros.

O anúncio é particularmente importante para a América Latina, que absorve entre 35% e 40% do total do financiamentos do BIRD.

O mandato do Comitê de Desenvolvimento é assessorar o Conselho de Governadores do Banco sobre questões críticas de desenvolvimento e também sobre os recursos financeiros necessários para promover o progresso econômico nos países em desenvolvimento.

"Durante os últimos cinco anos, a América Latina tive um crescimento médio de 5%, conseguiu reduzir a pobreza, e, pela primeira vez em 30 anos, lentamente começou a diminuir as desigualdades. Neste sentido, os países da região querem proteger esse progresso, e o Banco está preparado para aumentar o financiamento para programas em curso e injetar liquidez quando necessário, ao mesmo tempo em que protege os setores mais vulneráveis da sociedade”, disse Pamela Cox, Vice Presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

Vários países já manifestaram interesse em receber financiamento adicional.

De seu lado, a IFC irá fornecer até US$ 500 milhões para apoiar micro, pequenas e médias empresas (PME).

"O IFC tem estado em constante comunicação com os seus clientes do setor privado na região. Alguns deles têm sido afetados pela reduzida disponibilidade de crédito a curto prazo, enquanto outros manifestaram interesse na aprovação dos planos de contingência. Assim, estamos aumentando a disponibilidade de financiamento para o comércio e disponibilizando pacotes de fundos, como o pacote de US$ 150 milhões para financiar a habitação no México anunciado na semana passada", disse Atul Mehta, diretor do departamento da América Latina IFC.

Um relatório do Banco Mundial publicado pelo Escritório do Economista-Chefe para a América Latina indica que a crise está se espalhando pela região através de três canais:

  1. Contágio financeiro (diminuição do fluxo das carteiras, grandes reduções nos índices de preços das ações e consideráveis ajustes monetários);
  2. A procura externa (diminuição da procura por exportações da região irão aumentar com a queda nas remessas, o enfraquecimento dos preços das commodities, os aumentos nos custos dos empréstimos e o impacto retardado das políticas monetárias mais restritivas) e
  3. Variação nos termos de comércio (mais de 90% do PIB e dos habitantes da região estão nos países exportadores líquidos de commodities).

O relatório enfatiza que as economias da região estão, em média, superando a crise muito melhor do que no passado, devido a melhorias notáveis nas políticas macroeconômicas e financeiras. Neste sentido, os países mostram uma exposição mais diversificados e uma menor dependência do ingresso líquido de capitais externos.

A expectativa é que o crescimento será reduzido de 5,6% em 2007 para 4,6% em 2008 e entre 2,5% e 3,5% em 2009.

"Esta desaceleração irá ocorrer a partir de uma tendência de crescimento relativamente elevada nos últimos anos", disse Augusto de la Torre, Economista-Chefe para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial. "Em comparação com outros períodos, é um desenvolvimento positivo. No passado, o impacto de uma crise global desta magnitude teria envolvido um crescimento negativo", acrescentou.

Os países estreitamente ligados à economia dos EUA, como o México e as nações da América Central, já estão sentindo os efeitos com o declínio das remessas, as exportações e o turismo. Já os países mais ligados a outras regiões, como Argentina, Peru e Brasil, vão sofrer efeitos de alguma forma reduzidos e retardados, conquanto permanecer sólido o crescimento da China. O crescimento projetado para 2009 do país asiático é de cerca de 9%.




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