Grupo Banco Mundial intensifica apoio aos países em desenvolvimento

Banco prevê uma redução mais acentuada do crescimento mundial

WASHINGTON, 11 de novembro de 2008 -  Chamado a dar uma resposta rápida à crise financeira mundial que continua a se alastrar, o Grupo Banco Mundial anunciou hoje a sua intenção de aumentar substancialmente o seu apoio financeiro aos países em desenvolvimento através de medidas que incluem o aumento da sua capacidade de empréstimo e o início ou a ampliação de quatro mecanismos financeiros para o sector privado atingido pela crise, um elemento crítico para a geração de empregos, a recuperação e sustentação do crescimento.

Em anúncio que precede a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que terá lugar este fim de semana nesta capital, o Grupo Banco Mundial observou que nos próximos três anos poderá assumir novos compromissos através do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD) até um valor de US$ 100 bilhões. No corrente ano, o montante dos financiamentos poderá praticamente triplicar a mais de US$ 35 bilhões, em comparação com US $ 13,5 bilhões no ano passado. Este aumento no apoio financeiro busca proteger os mais pobres e vulneráveis do impacto da crise; respaldará os países que enfrentam graves déficits orçamentários e ajudar a sustentar investimentos de longo prazo, das quais dependem a recuperação e o desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o Banco Mundial prevê para 2009 um crescimento das economias em desenvolvimento menor do que anteriormente projetado (4,5% comparado a 6,4%), devido a uma combinação de turbulência financeira, redução das exportações e declínio no preço dos produtos básicos. A instituição prevê para o próximo ano uma contração de 0,1% nas economias dos países de renda alta, enquanto o crescimento da economia global seria de apenas 1%.

"As autoridades que se reunirão no sábado para discutir a crise financeira global não devem perder de vista a crise humana. Como sempre, os mais afetados são os mais pobres e mais vulneráveis", disse o Presidente do Grupo Banco Mundial, Robert B. Zoellick. "A resposta a esta crise tem de ser abrangente e coordenada, flexível e rápida. Embora os desafios devam ser enfrentados no nível nacional, hoje mais do que nunca é essencial que a comunidade internacional aja de forma coordenada e com espírito de cooperação a fim de facilitar a tarefa de cada país."

É provável que as condições mais restritivas de crédito e menor crescimento econômico reduzam a renda fiscal e a capacidade dos governos de investir para alcançar as metas da educação, saúde e gênero, bem como as despesas com infra-estrutura necessária para que o crescimento seja sustentável. As estimativas atuais indicam que uma diminuição em 1% das taxas de crescimento dos países em desenvolvimento levaria à pobreza mais 20 milhões de pessoas. Os elevados preços dos produtos alimentares e dos combustíveis já levaram a uma situação de pobreza 100 milhões de pessoas.

"É provável que nos países em desenvolvimento os pobres sejam os mais atingidos pela crise financeira mundial, o que ocorreu logo após a de alimentos e combustível", disse Zoellick. "Em colaboração com o Fundo Monetário Internacional, as agências das Nações Unidas, bancos regionais de desenvolvimento e de outras entidades, o Grupo Banco Mundial está ajudando os governos e o setor privado através de empréstimos, investimentos de capital, novos e inovadores instrumentos e programas de proteção social".

Além de ampliar o financiamento concedido, o Grupo Banco Mundial também está trabalhando para acelerar a concessão de doações e empréstimos de longo prazo sem juros para os 78 países mais pobres do mundo, 39 dos quais na África. No ano passado, os doadores prometeram US$ 42 bilhões para a Associação Internacional para o Desenvolvimento (AID), o fundo do Banco Mundial destinado a esses países. O Banco está trabalhando com as nações mais pobres em prestar esse apoio com a velocidade necessária, especialmente nos países que tinham entrado nos mercados de capitais ou que sofrem tensões devido à redução dos preços dos produtos básicos ou a diminuição da demanda por exportações ou das remessas.

Projeções de três anos do apoio do Grupo Banco Mundial aos países atingidos pela crise financeira

  • Financiamento do BIRD   -- até US$100 bilhões
  • Créditos e doações da AID    -- até US$42 bilhões*
  • Mecanismos financeiros da IFC   -- até US$30 bilhões**
  • TOTAL (ao longo de 3 anos)    -- até US$172 bilhões
     * podem ser apresentados em sua etapa inicial
     ** incluem contribuições dos doadores

Além de ajudar os governos que enfrentam escassez de dinheiro, o Grupo Banco Mundial está aumentando o apoio ao sector privado através do início ou ampliação de quatro iniciativas da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), a entidade dedicada ao financiamento do sector privado. A previsão é que o montante disponível através desses novos mecanismos financeiros, que combinam fundos da IFC e financiamento de várias fontes, tais como governos e instituições financeiras internacionais, alcance nos próximos três anos cerca de US$ 30 bilhões, destinados a abordar problemas vividos pelo setor privado devido à crise financeira mundial. Estes mecanismos são:

  • Programa ampliado de financiamento para o comércio: A IFC pretende duplicar o montante global do seu programa de financiamento para o comércio, o que aumentaria de US$ 1,5 bilhão para US$ 3 bilhões. As garantias comerciais emitidas no âmbito do programa terão um período médio de seis meses, o que significa apoiar financiamentos a curto prazo em um montante de até US$ 18 bilhões, nos próximos três anos. O ampliado mecanismo beneficiará bancos participantes em 66 países, incluindo alguns dos 78 países mais pobres do mundo. O programa oferece garantias totais ou parciais aos bancos, o que cobre o risco de pagamento das operações relativas ao comércio exterior.
  • Fundo para a recapitalização dos bancos: A IFC tem a intenção de lançar um fundo global de investimento de capital para recapitalizar bancos em dificuldades, já que um aumento das falências bancárias perturbaria ainda mais a atividade econômica, o que agravaria a pobreza nos países em desenvolvimento. A IFC pretende investir US$ 1 bilhão ao longo de três anos, enquanto outros investidores trariam ao menos US$ 2 bilhões.
  • Mecanismo de financiamento da infra-estrutura afetada pela crise: Este novo mecanismo de financiamento da IFC irá proporcionar financiamento rotativo e ajudará a recapitalizar projetos de infra-estruturas existentes, viáveis e financiados pelo sector privado que atravessem dificuldades financeiras. A IFC pretende investir, ao longo de três anos, ao menos US$ 300 milhões e mobilizar entre US$ 1,5 bilhão e US$ 10 bilhões provenientes de outras fontes.


Serviços de assessoria técnica da IFC: Para satisfazer as necessidades crescentes dos clientes, a IFC está dando uma nova abordagem para os programas de serviços de assessoramento existentes – serviços bancários para pequenas e médias empresas, arrendamento financeiro, microcrédito, financiamento habitacional, política e promoção de investimento e operação e regulação de empresas – com o propósito de colocá-las em uma posição melhor para ajudar seus clientes na atual crise. A IFC acredita que isso irá exigir pelo menos do que US$ 40 milhões nos próximos três anos.

A Agência Multilateral de Garantia de Investimento (MIGA), a entidade do Grupo Banco Mundial responsável pela concessão de seguros contra riscos políticos, apóia os sectores financeiros dos países em desenvolvimento fornecendo garantias aos bancos estrangeiros para ajudar a injetar liquidez estes mercados. Espera-se que o apoio que MIGA deve fornecer a projetos na Ucrânia e na Rússia contribuirá para reforçar a confiança nos sistemas financeiros desses países. Espera-se a dar garantias semelhantes na Europa Oriental e na África.




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