Click here for search results
Online Media Briefing Cntr
Embargoed news for accredited journalists only.
Login / Register

NOVO RELATÓRIO DO BANCO MUNDIAL RECOMENDA RECONSIDERAÇÃO DO PAPEL DOS GOVERNOS EM ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO

Available in: Français, English, Español
Press Release No:2001/329/S

Contatos:
Phil Hay (202) 473-1796
Phay@worldbank.org
Miriam Razaq (202) 458-2931
Mrazaq@worldbank.org
Cynthia Case McMahon (TV/Rádio) (202) 473-2243
Ccase@worldbank.org


WASHINGTON, 22 de maio de 2001--Nos países em que os o governos controlam uma grande parcela do setor bancário o crescimento econômico é mais lento e a pobreza maior do que nos países que possuem poucos em que bancos estatais, afirma um novo estudo do Banco Mundial hoje divulgado.

Em contraste, os países que reduzem a propriedade dos bancos estatais e permitem o funcionamento de bancos estrangeiros de boa reputação nos seus mercados financeiros, beneficiam-se da concorrência e da maior eficiência que disso resulta e desfrutam de menor volatilidade financeira, maior crescimento econômico e menos pobreza. Não obstante, a privatização dos bancos estatais e a concessão de alvarás para empresas financeiras estrangeiras podem ser complicadas e os erros podem ser muito custosos.

O relatório Finance for Growth: Policy Choices In A Volatile World - que examina amplamente as experiências dos países em todo o mundo - afirma que as crises financeiras como a que varreu a Ásia Oriental e outros mercados emergentes no fim da década de 1990 e as atuais incertezas no setor financeiro de países como a Turquia demonstram que "tomar grandes decisões de política financeira de maneira correta passou a ser um dos desafios centrais para o desenvolvimento no novo século".

"A rápida evolução dos serviços financeiros através da Internet demonstra que estamos passando para um mundo financeiro sem fronteiras", diz o co-autor do relatório, Gerard Caprio, Diretor do Grupo de Política e Estratégia Financeira do Banco Mundial e ex-economista do Banco Central dos Estados Unidos. "Os países devem decidir quais são os serviços financeiros que devem ser comprados e quais devem ser criados internamente. Da mesma forma que países que precisam de serviços de aviação não necessitam ter suas próprias empresas nacionais, o mesmo ocorre com o setor financeiro. O que importa para o crescimento é o acesso aos serviços financeiros e não quem os fornece".

As crises financeiras continuarão mas os países podem tomar medidas para reduzir a sua freqüência e gravidade, afirma o relatório. O relatório recomenda que os países em desenvolvimento devem ir além do cumprimento mecânico das normas internacionais para aproveitar das forças do mercado, de tal forma que os proprietários de bancos, participantes dos mercados financeiros e inspetores bancários tenham incentivos para supervisionar-se uns aos outros e evitar riscos excessivos.

Abrir o setor financeiro aos bancos estrangeiros e vender bancos estatais, desde que feito cuidadosamente, são duas medidas que os países podem tomar a fim de estabelecer tais incentivos. Outras medidas incluem manter autoridades à distância durante as transações a fim de reduzir oportunidades de conflito de interesses e corrupção, e eliminar as distorções que diminuem os investimentos indiretos, o patrimônio, o financiamento a longo prazo e os empréstimos a pequenas empresas e aos pobres.

Num mundo em que os serviços financeiros via Internet cruzam deliberadamente fronteiras internacionais, os limites para a atuação governamental estão se estreitando. Governos podem concentrar suas atenções em políticas públicas que visem assegurar a disponibilidade de serviços financeiros de alta qualidade e conter os riscos da importação da volatilidade.

"Esta pesquisa demonstra de forma conclusiva algo que muitos de nós considerávamos correto há muito tempo, isto é, que a solidez do setor financeiro é um ingrediente essencial ao crescimento econômico que reduz a pobreza", afirma o Economista Chefe do Banco Mundial, Nicholas Stern. "Alguns argumentam que os serviços do setor financeiro formal beneficiam somente aos ricos. Mas os pobres sofrem os efeitos de um setor financeiro fraco e das crises financeiras, mesmo sem terem ações ou contas bancárias".

Alguns países excluíram as empresas financeiras de propriedade estrangeira de seus mercados internos, temendo que estas desestabilizem o sistema financeiro e levem à falência as empresas locais. Mas o relatório não encontrou provas específicas de que a entrada de bancos estrangeiros tenha desestabilizado o fluxo de crédito ou restrito o acesso das pequenas empresas ao crédito. Pelo contrário, ela está vinculada a melhoras substanciais na qualidade da regulamentação e da divulgação de informações financeiras.

"A abertura do mercado de serviços financeiros – que permite o funcionamento de instituições financeiras estrangeiras nos mercados nacionais – não deve ser confundida com a liberalização da conta de capital – isto é, da redução das restrições sobre a entrada e a saída de dinheiro do país", diz Stern. "A abertura do mercado de serviços financeiros pode reduzir os riscos no sistema financeiro e, freqüentemente, abre o caminho para a liberalização da conta de capital".

O relatório verificou que a propriedade de bancos estatais continua sendo muito generalizada, apesar dos sinais de que as metas de tal propriedade -- por exemplo, a canalização de poupança para pequenas empresas ou para as prioridades do desenvolvimento -- raramente são alcançadas.

"Os bancos de propriedade estatal tendem a enfraquecer o sistema financeiro. Nos países onde o governo é proprietário de muitos bancos, o crédito fica geralmente restrito a algumas empresas grandes, as taxas de juros são mais altas e o setor financeiro não-bancário, como o mercado de ações, é mais fraco", afirma Caprio. "Nesses países o setor financeiro não-bancário desenvolve-se menos e o crescimento é menor – e, portanto, os níveis de pobreza são mais altos. Mas as privatizações de bancos devem ser feitas com cuidado – muito freqüentemente, os bancos privatizados vão rapidamente à falência e acabam passando para a administração governamental, em situação pior do que antes da privatização".

Quando chegam as crises, os governos ficam diante de alternativas difíceis. Involuntariamente, eles podem se tornar proprietários de bancos e precisam se esforçar para sair deste papel o mais rápido possível. Repetidamente, o custo da recapitalização de bancos falidos é muito alto para o sistema financeiro e para a economia nacional e leva muitos anos para pagar, diz o relatório. Na Indonésia, o dinheiro que o governo tem usado para pagar as dívidas acumuladas durante a crise financeira chega a ser o dobro do orçamento da saúde e educação por muitos anos futuros.

Ao decidir quais bancos merecem sobreviver, os governos podem dar sinais ao mercado, por exemplo, recapitalizando os bancos somente quando o setor privado estiver disposto a fazer uma contribuição de igual proporção e, mesmo assim, certificando-se de que o governo seja o primeiro a receber de volta o que tiver sido investido.

O relatório adverte que nem sempre é prudente para os países em desenvolvimento imitar as instituições financeiras dos países com setores financeiros mais desenvolvidos. O seguro dos depósitos pelo governo que está ficando cada vez mais popular nos países em desenvolvimento, pode ter efeitos indesejáveis.

"Verificamos que o seguro de depósitos reduz o incentivo para que os depositários e outros participantes do mercado financeiro supervisionem os bancos", diz o co-autor do relatório, Patrick Honohan, um dos economistas principais do Banco Mundial e ex-assessor econômico do Primeiro-Ministro da Irlanda. "Embora isso possa ser tolerável nos países onde a regulamentação e a supervisão dos bancos compense o que outros não fazem, em outros países isso estimula os administradores dos bancos a jogar com o dinheiro dos outros, o que acaba produzindo menos desenvolvimento do setor financeiro e maiores possibilidades de crises bancárias".

Ademais, quando se criam tais redes de segurança de baixo custo, a tendência é depender mais dos bancos e menos de outras formas de intermediação financeira. Por exemplo, as empresas assumem mais dívidas em vez de recorrer aos mercados patrimoniais, o que resulta em estruturas de financiamento mais frágeis para as mesmas.

Alguns pa íses restringiram o desenvolvimento dos seus próprios mercados de capital como parte de uma campanha para fortalecer os seus bancos ou restringiram os bancos a fim de promover o crescimento dos mercados patrimoniais. O estudo não encontrou qualquer justificação para tais políticas. "O financiamento bancário e o patrimonial são complementares, um não substitui o outro", afirma Honohan. "Na verdade, o desenvolvimento de cada setor parece fortalecer o desempenho do outro, na medida em que estimula a concorrência de cada empresa financeira".

Os pequenos sistemas financeiros enfrentam desafios singulares e até e mesmo os sistemas financeiros de países maiores em desenvolvimento são pequenos em relação aos fluxos financeiros de escala mundial. De todos os países em desenvolvimento, só a China e o Brasil constituem um por cento ou mais do sistema financeiro mundial. Quanto menor o sistema financeiro de um país, mais vulnerável será aos choques vindos de fora, a menos que o sistema financeiro esteja integrado firmemente ao sistema financeiro mundial.


-




Permanent URL for this page: http://go.worldbank.org/OX7UCVSL30