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ÊXITO NAS CONVERSAÇÕES DE CANCUN E CRESCIMENTO DO COMÉRCIO PODEM IMPULSIONAR RECUPERAÇÃO DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE

PIB Regional deve crescer 1,8% em 2003, 3,7% em 2004, e 3,8% em 2005
Available in: English, Español
Press Release No:2004/56/S
Contato: Amy Stilwell
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WASHINGTON, 3 de setembro de 2003 — Um acordo comercial que leve em conta as preocupações dos países em desenvolvimento poderia reduzir a pobreza de 144 milhões de pessoas até 2015, bem como impulsionar a recuperação da América Latina e no Caribe, afirma um novo relatório do Banco Mundial. A publicação coincide com a conferência ministerial de comércio em Cancun, que examinará o progresso das negociações na OMC no tocante à Agenda de Desenvolvimento de Doha.

O relatório Global Economic Prospects 2004: Development Promise of the Doha Agenda (Perspectivas Econômicas Globais 2004: A Promessa de Desenvolvimento da Agenda de Doha) projeta um crescimento débil de 1,5% em 2003 no mundo industrializado, bem abaixo de seu potencial, mas com uma melhora em 2004 para 2,5% nos países desenvolvidos. Os países em desenvolvimento devem ter melhor desempenho do que os países industrializados, crescendo a 4,0% em 2003 e atingindo 4,9% em 2004, se a recuperação se mantiver no mesmo caminho. O comércio mundial deve crescer 4,6%, porcentagem ligeiramente mais elevada do que a do ano anterior, porém ainda menos da metade da taxa de 2000.

A Região da América Latina e do Caribe deverá registrar um crescimento econômico de 1,8% neste ano - após uma queda de 0,8% em 2003 - e essa taxa deve atingir 3,7% em 2004 e 3,8% em 2005. A recuperação relativamente rápida prevista para 2003 e 2004 é principalmente atribuída ao retorno da confiança após a transição eleitoral no Brasil e ao início da recuperação de Argentina e Uruguai, após suas profundas crises. A maior parte da região - em particular Chile, México, Peru e Colômbia - demonstrou significativa resistência ante os choques externos de 2001/2002.

"A contração da região terminou", afirmou Guillermo Perry, Economista-Chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. "A melhoria do crescimento do comércio mundial, aliada a um maior crescimento econômico dos países industrializados, a começar pelos Estados Unidos, deverá impulsionar ainda mais as exportações e a recuperação da América Latina. Uma maior liberalização mundial do comércio permitiria um crescimento baseado nas exportações ainda maior, tanto na região como em outras partes do mundo em desenvolvimento. Esta é a razão por que os debates da OMC em Cancun são tão importantes."

De acordo com o Banco Mundial, um acordo significativo alcançado no âmbito da OMC intensificaria o comércio global, eventualmente elevando a renda no mundo inteiro e com o tempo levaria a uma redução substancial da pobreza. De acordo com o relatório, intensificar o comércio é particularmente importante no caso da América Latina, por ser este um dos fatores mais importantes para a recuperação econômica, ao passo que políticas liberais mais favoráveis ao comércio e ao mercado têm ajudado a diversificar e ampliar a base das exportações regionais.

O relatório Global Economic Prospects 2004 assinala que Chile e México sofreram menos com a contração econômica de 2001/2002 graças à sua efetiva integração na economia global e a boas políticas macroeconômicas. No entanto, os países caribenhos e algumas das menores nações da América Central ainda enfrentam desafios, uma vez que seus acordos comerciais preferenciais estão expirando ou foram seriamente prejudicados e, por outro lado, suas tentativas bem-sucedidas de diversificação no sentido do turismo e serviços financeiros sofreram um sério revés em 2002.

Segundo o relatório, há muitas desigualdades que impedem o aumento das exportações dos países em desenvolvimento - incluídos aí a América Latina e o Caribe.

"A remoção das barreiras comerciais e dos subsídios dos países ricos é crucial. Os exportadores dos países em desenvolvimento geralmente têm de pagar mais para entrar nos mercados estrangeiros e a América Latina e o Caribe não são exceção", afirmou Richard Newfarmer, assessor econômico do Departamento de Comércio e Grupo de Perspectivas do Desenvolvimento do Banco Mundial e principal autor do relatório. "Os países industrializados cobram, em média, cerca de 1% sobre as manufaturas importadas entre si, mas 2% da América Latina, embora esta seja a região em que o NAFTA tem peso considerável."

Mas tal como os países ricos devem tomar a iniciativa de reduzir o protecionismo agrícola e diminuir as altas tarifas impostas às manufaturas dos países em desenvolvimento, estes também devem fazer a sua parte, afirma o relatório.

Os exportadores do Leste asiático enfrentam tarifas em outros países do Leste asiático 60% acima das tarifas que enfrentam nos países industrializados. E, de acordo com o Banco Mundial, os exportadores latino-americanos de produtos manufaturados enfrentam na América Latina tarifas em média sete vezes maiores do que as tarifas dos países ricos.

Resumo das previsões para a América Latina e o Caribe
Taxas/coeficientes de crescimento (porcentagem)1991-2000200120022003200420052006-15
Crescimento real do PIB3,40,3-0,81,83,73,83,8
Consumo per capita2,4-0,9-3,5-0,11,81,92,3

PIB per capita

1,7-1,2-2,30,42,32,52,5
população1,71,61,51,41,41,31,2

Investimento Interno Bruto

19,819,118,017,618,418,422,6
Inflação/b12,05,54,74,14,04,0
Saldo orçamentário do Gov. Central/PIB-3,0-1,8-2,9-2,0-1,0-0,6
Crescimento do mercado de exportações /c9,4-1,20,55,08,67,2
Volume das exportações/d8,71,02,29,211,210,2

Termos do comércio/PIB

1,7-0,20,1-0,40,1-0,7
Conta corrente/PIB-2,7-2,7-1,4-0,5-0,7-1,0

Itens do memorando
Crescimento do PIB: exceto Argentina3,21,21,01,53,63,9


América Central4,41,51,92,43,13,8


Caribe4,03,13,00,92,44,1

a) Investimento fixo, medido em termos reais. b) Deflator do PIB em moeda nacional, média.
c) Média ponderada do crescimento da demanda de importações nos mercados de exportações.
d) Bens e serviços não-atribuídos a fatores.
e) Mudança nos termos comerciais, medidos como proporção do PIB (porcentagem)
Fonte: Previsões do Banco Mundial , julho de 2003.

"As altas barreiras ao comércio entre os países de renda média prejudicam os pobres nesses países tanto quanto as barreiras impostas pelos países ricos", afirmou Perry. "A região precisa aprofundar a liberalização, ao mesmo tempo investindo mais em capacitação e tecnologia. Esses são elementos vitais para uma reforma do comércio, já que propiciam a elevação da produtividade a níveis competitivos necessários para aproveitar plenamente o acesso aos mercados que seria oferecido pela liberalização do comércio multilateral.

A recuperação econômica

A recuperação relativamente rápida da América Latina e do Caribe pode ser atribuída a fatos internos e externos. Além de políticas favoráveis ao comércio e ao mercado, o relatório Global Economic Prospects 2004 ressalta macro políticas internas sólidas, tais como a redução da inflação e dos déficits públicos; a obtenção de condições mais saudáveis da conta corrente; uma taxa cambial mais favorável, o que tornou mais barato o serviço da dívida externa regional, cotada em dólares; e a redução das margens sobre os títulos da dívida externa soberana.

Para 2004-2005, projeta-se para a região um crescimento ainda maior, graças à recuperação do comércio mundial e ao crescimento econômico previsto nos países industrializados, bem como ao fato de que as maiores economias da região terão superado a parte pior de suas crises (Argentina e Uruguai) ou crises potenciais (Brasil e Colômbia). De acordo com o relatório, a maioria dos países deverá experimentar recuperação da demanda interna e registrar taxas positivas de crescimento.

Estas projeções supõem que nenhum desenvolvimento interno ou externo adverso reverta o abrandamento da pressão financeira sobre os países mais vulneráveis da região.

Projeções globais do PIB, 2003-2005 /1
Mudança percentual200020012002200320042005
Mundo4,01,31,92,03,02,9
Países de alta renda3,70,91,61,52,52,4
Países da OCDE3,61,01,61,52,52,3
Estados Unidos3,80,32,42,23,42,8
Japão2,80,40,10,81,31,3
Área do Euro3,51,50,80,71,72,1
Países não-membros da OCDE6,6-1,12,42,14,14,4







Todos os países em desenvolvimento

5,12,93,34,04,94,8
Leste asiático e Pacífico7,25,56,76,16,76,6
Europa e Ásia Central6,62,24,64,34,54,1
América Latina e Caribe3,50,3-0,81,83,73,8
Oriente Médio e Norte da África4,13,23,13,33,93,5
Sul da Ásia4,24,94,25,45,45,4
África Subsaariana3,23,22,82,83,53,8
Memorando
Países em desev., excluindo China / Índia
4,61,72,03,14,14,1

Fonte: World Bank, Development Prospects Group.
Nota: 1 PIB em dólares constantes dos EUA de 1995
 




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