Em Cingapura: Maya Brahmam Cel. Global 44-7753-782-019 mbrahmam@worldbank.org Phil Hay Cel. Global (202) 409 2909 phay@worldbank.org TV/Rádio: Camille Funnell Local tel no: (81) 81 5364 Cfunnell@worldbank.org Em Washington: Kavita Watsa (202)458-8810 kwatsa@worldbank.org CINGAPURA, 16 de setembro de 2006 – Os países em desenvolvimento que investem em melhor educação, cuidados da saúde e treinamento profissionalizante para seu número recorde de jovens de 12 a 24 anos de idade, podem produzir um crescimento econômico considerável e uma redução acentuada da pobreza, de acordo com o novo relatório do Banco Mundial lançado nas Reuniões Anuais da entidade em Cingapura. Diante do fato de 1,3 bilhão de jovens viver atualmente no mundo em desenvolvimento – o maior grupo jamais visto na história – o relatório afirma que não existe momento melhor para investir nos jovens, porque são mais saudáveis e mais bem instruídos do que as gerações anteriores e entrarão na força de trabalho com menos dependentes em decorrência de mudanças na demografia. No entanto, desperdiçar a oportunidade de treiná-los mais eficazmente para o mercado de trabalho e para serem cidadãos ativos poderá levar a uma desilusão generalizada e a tensões sociais. “O número tão grande de jovens que vivem nos países em desenvolvimento oferece excelentes oportunidades, mas também riscos,” afirmou François Bourguignon, Economista-Chefe do Banco Mundial e Vice-Presidente Sênior do Departamento de Economias em Desenvolvimento. “As oportunidades são ótimas à medida que muitos países adquirirem uma força de trabalho mais numerosa e mais qualificada com um menor contingente de dependentes. Mas esses jovens devem estar bem preparados para criar e encontrar bons empregos.” Segundo o relatório, os jovens constituem quase a metade das fileiras de desempregados do mundo e, por exemplo, a região do Oriente Médio e Norte da África, por si só, precisará criar 100 milhões de empregos até 2020 para estabilizar sua situação empregatícia. Além disso, as pesquisas entre jovens do Leste Asiático e Leste Europeu e Ásia Central – realizadas para o relatório – indicam que o acesso ao emprego, juntamente com a segurança física, é sua maior preocupação. Um número demasiadamente elevado de jovens – cerca de 130 milhões de 15 a 24 anos – não sabe ler nem escrever. O ensino de segundo grau e a aquisição de aptidões profissionais somente fazem sentido se o ensino de primeiro grau tiver êxito. Isso está longe da realidade e é preciso injetar mais esforços nessa área. Além disso, mais de 20% das firmas em países como a Argélia, Bangladesh, Brasil, China, Estônia e Zâmbia assinalam o baixo nível de ensino e de aptidões profissionais de sua força de trabalho como “obstáculo importante ou grave para suas operações”. Superar essa dificuldade começa com mais e melhores investimentos nos jovens. “A maioria dos países em desenvolvimento dispõe de uma pequena janela de oportunidade para corrigir isso antes que os jovens em números recordes cheguem à meia idade, levando esses países a perder o dividendo demográfico. Não se trata apenas de política social esclarecida. Esta talvez seja uma das decisões profundas que um país em desenvolvimento jamais venha a tomar para eliminar a pobreza e dinamizar sua economia”, afirmou Manny Jimenez, autor principal do relatório e Diretor de Desenvolvimento Humano do Departamento do Leste Asiático e Pacífico do Banco Mundial. Um estudo atribui mais de 40% do maior crescimento no Leste Asiático em comparação com a América Latina em 1965-1990 a políticas progressivas em macroeconomia, comércio, educação, cuidados da saúde e treinamento profissionalizante, bem como ao aumento mais rápido da população em idade de trabalho. Os países que não aproveitarem essa janela demográfica ficarão cada vez mais para trás na economia global. O relatório afirma que a maioria dos formuladores de política está ciente de que a população jovem de seu país influenciará enormemente o seu destino social e econômico em âmbito nacional, porém enfrenta graves dilemas a respeito da forma de investir mais eficazmente em sua juventude. O Relatório sobre Desenvolvimento Mundial identifica três políticas estratégicas que podem aumentar o investimento nos jovens: 1. ampliação de oportunidades; 2. melhoria das capacidades; e 3. oferecimento de segundas oportunidades para jovens que ficaram para trás em conseqüência de circunstâncias difíceis e más escolhas. Essas políticas abordam cinco transições fundamentais enfrentadas pelos jovens e que afetam toda a sua vida econômica, social e familiar, a saber: conseguir educação, encontrar emprego, manter-se saudável, constituir família e exercer a cidadania. Oportunidades – Se tiverem maiores oportunidades de conseguir educação e melhores cuidados da saúde, os jovens poderão adquirir as aptidões para a vida a fim de passar pela adolescência e primeira idade adulta de forma segura e, ao mesmo tempo, o melhor treinamento profissionalizante os ajudará a competir na força de trabalho. A participação política e o envolvimento dos jovens em organizações sociais são também elementos essenciais para promover a sua vida cívica nas respectivas comunidades e vital para a boa governança. Sem oportunidade de participação cívica produtiva, as frustrações dos jovens poderão transbordar para tensões econômicas e sociais, criando disputas de longa duração. Por exemplo, o conflito étnico contínuo em Sri Lanka entre os grupos Sinhalese e Tamils foi inicialmente causado pela frustração de estudantes Tamils impedidos de entrar na universidade e sem outros meios de participação cívica. Capacidades – É importante proporcionar informação aos jovens e desenvolver sua capacidade de tomar decisões, especialmente para permanecerem saudáveis e desfrutarem do aprendizado contínuo. Munidos da informação correta e de incentivos, esses jovens podem tomar boas decisões. Uma análise do programa da Índia “Opções para uma Vida Melhor”, que oferece informação sobre serviços de reprodução e saúde e treinamento profissionalizante a mulheres jovens de 12 a 20 anos de idade, que vivem em favelas urbanas e nas áreas rurais, mostra que as jovens do programa participam mais ativamente nas tomadas de decisão importantes do que as não-participantes. Segundas oportunidades – Os países precisam de programas direcionados aos jovens que ficaram para trás em decorrência de circunstâncias difíceis ou más escolhas. Por exemplo, evasão escolar, toxicomania, comportamento criminoso ou desemprego prolongado. As segundas oportunidades ajudam os jovens a reconstruírem seu futuro, o que tem um efeito benéfico de longo prazo sobre a sociedade como um todo. A reabilitação é dispendiosa, mas os resultados são os melhores possíveis para os jovens que ainda têm uma vida inteira de produtividade em potencial à sua frente. Segundo o relatório, 300.000 jovens menores de 18 anos já participaram de conflitos armados e outros 500.000 foram recrutados por forças militares ou paramilitares. A experiência em programas de desmobilização e reabilitação indica que os jovens combatentes podem reconstruir suas vidas com treinamento profissionalizante e apoio médico e psicológico. Embora muitas dessas questões não possam ser facilmente resolvidas, tanto os países em desenvolvimento, como seus jovens podem beneficiar-se de dezenas de exemplos nos quais os jovens, apoiados por políticas esclarecidas e instituições públicas, não somente enfrentaram os problemas mas os superaram. “Os jovens de hoje têm mais instrução, experimentam uma maior abertura política e têm contato maior com o mundo exterior por meio da televisão, Internet e migração do que quaisquer de seus predecessores e isso pode facilitar sua transição para serem cidadãos observantes da lei e ativamente envolvidos do futuro”, diz Mamta Murthi, co-autora do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2007 e Economista-Chefe do Departamento da Europa e Ásia Central do Banco Mundial. Murthi afirma que a canalização de seus conhecimentos e criatividade natural pode incentivar o crescimento econômico e produzir efeitos benéficos de longo prazo que terão repercussão muito além de sua geração. Com outras palavras, influenciarão os resultados da luta global contra a pobreza nos próximos 40-50 anos.
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