Para ler a tradução em português continental, dê um clique aqui Reunião Anual Assembléia Anual de Governadores do Grupo Banco Mundial Discurso de Sua Excelência o Senhor Robert B. Zoellick Presidente Grupo do Banco Mundial Washington, D.C. 13 de outubro de 2008 “Modernizando o Multilateralismo e os Mercados” Senhor Presidente, Senhores Governadores e distintos convidados: Muito obrigado pela sua presença aqui conosco nestas Reuniões Anuais. Desejo expressar meus agradecimentos especiais ao Senhor Zoran Stavreski, nosso Presidente, e uma vez mais ao Senhor Agustín Carstens por sua liderança na Comissão de Desenvolvimento e sua parceria como amigo. Não posso imaginar uma melhor Presidência com quem trabalhar em meu primeiro ano. Desejo também destacar meu bom colega, Dominique Strauss Kahn. Trabalhamos em estreita colaboração e tenho a sorte de ter um parceiro com tanta experiência, percepção e bom humor. Nós nos reunimos em um momento extraordinariamente difícil – um momento de incerteza e insegurança, com o perigo de que esses temores nos afastem – não nos aproximem – de uma globalização mais inclusiva e sustentável. As últimas semanas tornaram 2008 um ano incerto. Um colapso nos mercados financeiro, de crediário e hipotecário. O estresse contínuo dos altos preços dos alimentos, combustíveis e preços de produtos básicos. Ansiedades a respeito da economia global. As pessoas estão sofrendo. As famílias estão preocupadas com o que trarão os próximos dias. As pessoas estão reagindo com um sentido, primeiro, de confusão; depois, de frustração, raiva e medo. São respostas naturais, tal como temos presenciado nos países desenvolvidos. Os desafios da psicologia se espalharão por todo o mundo à medida que se disseminarem os efeitos financeiros e econômicos. Precisamos levá-los a sério. Outubro poderia ser um ponto-chave para muitos países em desenvolvimento. A queda nas exportações, bem como no fluxo de capitais, provocará um declínio nos investimentos. A desaceleração do crescimento e a deterioração das condições financeiras, juntamente com o aperto monetário, provocarão fracassos de empresas e aumentarão o risco de emergências bancárias. Alguns países serão levados a uma crise da balança de pagamentos. Como sempre, os mais pobres são os mais indefensáveis. Os eventos deste ano são um alerta. Há nuvens de tempestade sobre o multilateralismo e os mercados. À medida que os preços iam para as alturas os mercados agrícolas começaram a quebrar sob o peso das pressões políticas. Cerca de 40 países impuseram proibições ou restrições sobre exportações de alimentos. Outros impuseram controles de preços e suspenderam o comércio. A ONU envidou um grande esforço para levar os países a dobrarem suas contribuições à assistência de alimentos para os mais necessitados. A pobreza, a fome e a desnutrição aumentaram. Ao encalhar o sistema global para a agricultura, a Organização Mundial do Comércio (OMC) começou a vagar por águas perigosas. A Rodada de Doha bateu contra as pedras. As negociações para a Mudança Climática, organizadas nos termos da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática, enfrentam um caminho tortuoso, agora ainda mais acentuado com a ruptura na OMC. Embora aumentem as necessidades, o sistema de ajuda internacional não está acompanhando o ritmo. Os doadores trazem idéias, energia e recursos, mas também sobrecarregam a responsabilidade nacional dos países em desenvolvimento, prejudicando a eficácia da ajuda. Em 2006 houve mais de 70.000 transações de ajuda com um tamanho médio dos projetos de apenas US$ 1,7 milhão. No ano passado os países em desenvolvimento receberam, em média, 260 visitas de doadores. O Vietnã recebeu 752. Os governos nacionais são levados cada vez mais a prestar ajuda com sua bandeira e não por meio do multilateralismo que incentiva a coerência e constrói a responsabilidade nacional local. O G-7 como um todo está muito aquém de seus compromissos assumidos em Gleneagles para impulsionar a assistência para o desenvolvimento. Os mercados financeiros privados e as empresas continuarão a ser os impulsores mais fortes do crescimento global e do desenvolvimento. No entanto, os sistemas financeiros do mundo desenvolvido, especialmente nos Estados Unidos, têm demonstrado fraquezas clamorosas após sofrerem perdas titânicas. A arquitetura internacional, criada para lidar com essas circunstâncias, está se deteriorando. Um novo multilateralismo Mesmo ao procurarem os Estados Unidos e o mundo sair do buraco atual, precisamos olhar para frente: Precisamos modernizar o multilateralismo e os mercados para uma Nova Economia Mundial. Segundo alguns, a crise de hoje deveria absorver todas as nossas energias e enfoque. Mas os arquitetos de Bretton Woods lançaram em 1944 os alicerces de um futuro, mesmo ao combaterem os exércitos do passado. Para nós, o amanhã já está aqui. Surgem novas potências econômicas. A participação das potências emergentes na economia global as transformou em "grupos interessados" no sistema global que as beneficiou. Essas potências emergentes querem ser ouvidas. Querem saber qual será seu papel na elaboração das novas regras para a economia global. Por sua vez, os “interessados” dos países desenvolvidos tanto se beneficiam das mudanças como são por elas ameaçados. As economias em desenvolvimento emergentes oferecem múltiplos pólos de crescimento que ajudam sua recuperação e oferecem novas possibilidades, mas também atuam como alimento para alarmistas. Diante de taxas de crescimento de, em média, 6,6% de 1997 a 2007, cerca de 25 países da África Subsaariana, com quase dois terços da população da região, oferecem uma visão de ainda outro pólo de crescimento com probabilidade de se desenvolver nas próximas décadas. Isso poderia ser uma grande realização não somente para superar a pobreza e para o desenvolvimento, mas também para liberar talentos e energias não-aproveitados. Mas será um empreendimento não-realizado, salvo se tivermos a visão e a coragem para enfrentar os desafios do isolacionismo econômico e oferecermos liderança para ajudar a tornar isso uma realidade. Precisamos de uma nova abordagem Na melhor das hipóteses, o multilateralismo é um meio de solucionar problemas entre os países, esperando que o grupo ao redor da mesa de trabalho esteja disposto a atuar de forma construtiva em conjunto e em condições de fazê-lo. Quando o multilateralismo é disfuncional, a globalização pode ser uma Torre de Babel, havendo uma colisão de interesses nacionais concorrentes sem beneficiar ninguém. A geração de Bretton Woods deixou dois legados: primeiro, instituições e regimes internacionais – em diversos estados de serviços e reparo. Segundo – e mais importante – essa geração deixou um compromisso intelectual, de formação de políticas e político para agir multilateralmente no intuito de transformar os problemas de uma era em oportunidades. O Novo Multilateralismo, adaptado a nossos tempos, provavelmente será uma rede flexível, não um sistema fixo. Deve maximizar os pontos fortes dos atores interligados, tanto públicos como privados, com fins lucrativos e ONGs da sociedade civil. O Novo Multilateralismo deve respeitar as soberanias estatais, solucionando ao mesmo tempo problemas interligados que transcendem fronteiras. Essa Nova Rede Multilateral deve ser pragmática. Seu trabalho básico é promover a cooperação incentivando o intercâmbio de perspectivas sobre interesses, tanto nacionais como internacionais. Com freqüência o simples fato de compartilhar informação é um início. Precisamos incentivar a busca de interesses mútuos. Às vezes os interesses mútuos podem ser promovidos mediante incentivos – e as instituições internacionais podem tornar-se catalíticos para ação. A solução prática de problemas gera uma cultura de cooperação. Nosso Novo Multilateralismo deve ser construído com um sentido de responsabilidade compartilhada para a robustez e o funcionamento eficaz da economia política global. Isso significa – principal e criticamente – que deve envolver os que têm um grande interesse nessa econômica, os dispostos a compartilhar responsabilidades juntamente com os benefícios de mantê-la. Precisamos redefinir o multilateralismo econômico além do enfoque tradicional no financiamento e no comércio. Hoje a energia, a mudança climática e a estabilização de Estados frágeis e em pós-conflito são questões econômicas. Já fazem parte da segurança internacional e do diálogo ambiental. Devem ser também a preocupação do multilateralismo econômico. Prioridades Um novo Grupo de Coordenação O Novo Multilateralismo ainda dependerá principalmente da liderança nacional e da cooperação. Os países são importantes. Precisamos de um grupo central de Ministros das Finanças que assuma a responsabilidade por prever as questões, compartilhando informação e perspectivas, examinando os interesses mútuos, mobilizando esforços para solucionar problemas e pelo menos gerenciar as diferenças. Em matéria de cooperação financeira e econômica devemos considerar um novo Grupo de Coordenação, incluindo o Brasil, China, Índia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e o atual G-7. Esse Grupo de Coordenação reuniria mais de 70% do PIB do mundo, 62% da sua produção de energia, os principais emissores de carbono, os principais doadores para o desenvolvimento, atores principalmente regionais e os principais atores dos mercados globais de capital, produtos básicos e taxa de câmbio. Mas esse Grupo de Coordenação não seria um G-14. Não criaremos um novo mundo simplesmente refazendo o antigo. Não deve ter número, deve ser flexível e, com o tempo, poderia evoluir. Outros podem ser acrescentados, especialmente se sua influência crescente tiver como contraparte a disposição de ajudar a assumir responsabilidades. Esse novo Grupo de Coordenação deveria reunir-se regularmente, tanto em presença física como por videoconferência, a fim de promover um sentido de responsabilidade do grupo. O FMI e o Grupo Banco Mundial, talvez com a OMC, podem ajudar a apoiar esse Grupo de Coordenação. Podemos identificar problemas emergentes, fornecer análises, sugerir soluções e aproveitar a nossa própria afiliação mais ampla para propor coalizões com o objetivo de abordar questões. Os membros do Grupo de Coordenação ainda deverão trabalhar por meio de instituições e regimes internacionais estabelecidos, os quais incluem outros Estados. Mas o grupo central aumentaria a probabilidade de que os países se reúnam para abordar problemas maiores do que um único Estado. Precisamos desse mecanismo para que os países não fiquem entregues ao fracasso – com todas as conseqüências humanas, econômicas e políticas que isso acarreta para eles e seus vizinhos. Precisamos dele para que os problemas globais não sejam simplesmente empurrados para debaixo do tapete pós-fato, mas antecipados. Precisamos dele para desenvolver o hábito do diálogo e os relacionamentos necessários para impulsionar antes de estourar a crise. Precisamos dele para preparar soluções multilaterais. O financiamento internacional e o desenvolvimento Presenciamos o lado desagradável da conexidade. Precisamos caminhar para a luz. A primeira tarefa será recondicionar o sistema fracassado da regulamentação e supervisão financeiras. Precisamos perguntar por que tantas instituições tão bem reguladas e supervisionas encontraram dificuldades. Qualquer modelo baseado no risco, independentemente do grau de sofisticação e supervisão, depende criticamente dessas premissas. O que acontece quando as premissas falham? As condições em evolução que provocam o fracasso serão cada vez mais dependentes de mudanças na economia do mundo. Tal como a crise tem sido internacional devido à conexidade, as reformas deverão ser multilaterais. O Fórum de Estabilidade Financeira (FSF), aptamente presidido por Mario Draghi, do Banco da Itália, começou a enfrentar essas questões. Seja por meio de FSF expandido, de um vínculo mais forte entre o FSF e o FMI ou do Grupo de Coordenação, essas questões de supervisão financeira deverão ser abordadas em um contexto multilateral mais amplo. Precisamos incentivar um sistema de alerta antecipado do FMI para a economia global, focado na prevenção e não apenas na solução das crises. As ondas de choque financeiras nos Estados Unidos e na Europa se refletirão na economia global. A pura realidade é o fato de que os países em desenvolvimento devem prever uma queda no comércio, remessas e investimento interno e preparar-se para ela. Devem-se incentivar os países com sólidas posições fiscais e da balança de pagamentos a estimularem a demanda interna por meio do consumo e investimento. No entanto, outros têm hiatos orçamentários abismais, déficits na conta corrente, problemas na balança de pagamentos, perigo financeiro ou todos estes quatro elementos. O FMI e os bancos de desenvolvimento deverão prestar assistência. O Novo Multilateralismo deve colocar o desenvolvimento global no mesmo nível que o financiamento internacional. A multipolaridade econômica oferece estabilidade e oportunidade, tal como um portfólio diversificado de investimentos. Porém, para impulsionar um crescimento mais inclusivo e sustentável, precisamos considerar a ajuda de forma diferente. Há duas semanas, nas Nações Unidas, os parceiros internacionais levantaram US$ 16 bilhões para projetos de desenvolvimento. Esse dinheiro é vital e precisamos mais para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Mas também precisamos ampliar nosso enfoque. Devemos ouvir o número crescente de africanos a nos dizerem que querem mercados e oportunidades, não dependência da ajuda. O capital privado e os mercados continuarão a ser os impulsores do crescimento. Precisamos olhar além de projetos e programas em busca de novas formas de fazer negócios em prol do desenvolvimento. No Grupo Banco Mundial estamos mudando nosso papel, passando de prestamista principal a fornecedor de soluções personalizadas tanto financeiras como para o desenvolvimento, no intuito de superar a pobreza e promover o crescimento. Estamos também construindo uma plataforma de investimento da IFC para ajudar o investimento de capital – intermediário – não de ajuda – de Fundos da Riqueza Soberana para a África e outras regiões pobres com oportunidades de crescimento. É a “Solução de Um Por Cento” por mim proposta na última primavera setentrional. O capital privado – e especialmente o capital social – será um fator crítico no fortalecimento da infra-estrutura, suprimento de energia, financiamento de negócios e comércio e promoção da integração regional no âmbito de uma economia global aberta. E isso já está acontecendo. Em 2008 a IFC proporcionou mais investimento (incluindo consórcios) a nossos clientes do que nossos empréstimos do BIRD ou assistência prestada pela AID. Neste ano mais de 40% dos investimentos da IFC foram em países da AID. Nosso Programa Global de Títulos em Moeda Nacional em Mercados Emergentes (GEMLOC) visa a catalisar o desenvolvimento de mercados de títulos em moeda nacional em países de mercados emergentes e facilitar oportunidades de investimento sul-sul. Estamos ajudando os nossos clientes – desde pequenos agricultores a governos – a gerenciar os riscos para o desenvolvimento por meio de mecanismos de seguro contra eventos climáticos e catastróficos. Em parceria com o Departamento de Desenvolvimento Internacional (DFID), concluímos, em nome de Malauí, uma transação de gestão de riscos climáticos. Nos termos dessa transação, Malauí receberá até US$ 5 milhões se um índice vinculado ao volume pluviométrico cair significativamente abaixo da média histórica. Estamos desenvolvendo nossos negócios com entidades subsoberanas para irmos ao âmago da pobreza local e reforçarmos a governança e o desempenho em todos os níveis. Estamos utilizando nossa folha de balanço e capacidades financeiras em conjunto com doadores no intuito de ampliar os tipos de assistência: desde a emissão de títulos de vacina no mercado a varejo do Japão a compromissos antecipados para comprar produtos farmacêuticos ainda não desenvolvidos a fim de salvar vidas. Ao entrarmos em novos campos com novos instrumentos, precisamos ser melhores parceiros. Neste sentido, estamos aumentando o nosso volume de trabalho para apoiar sistemas de saúde, promover inovações tais como financiamento com base em resultados e novas formas de trabalhar com o setor privado e a sociedade civil. Há duas semanas, na Cúpula do Milênio da ONU, nós nos unimos à ONU, governos, doadores não-tradicionais, setor privado e sociedade civil no intuito de impulsionar o apoio ao combate à malária e à educação de primeiro grau com uma contribuição adicional do Banco Mundial de US$ 2,6 bilhões. O Novo Multilateralismo também precisa de mecanismos para atuar muito mais rapidamente, a fim de ajudar o mais vulneráveis em crise. Logo após sugerir essa idéia em nossas Reuniões da Primavera Setentrional, quando a crise de alimentos atingiu duramente os países, o Banco Mundial criou um novo mecanismo de financiamento rápido para os ameaçados pelos altos preços dos alimentos – no intuito de financiar a nutrição, proporcionar alimentação nas escolas, sementes e fertilizantes, bem como outras redes de segurança. Estamos agora expandindo esse Mecanismo a fim de incluir as pessoas atingidas pelo aumento de preço dos combustíveis. Esses tipos de mecanismos de vulnerabilidade devem ser flexíveis e rápidos e necessitarão de um fluxo regular de subvenções. O Grupo Banco Mundial também precisa adaptar-se mais rapidamente a fim de atender às necessidades de seus clientes e interesses de seus acionistas. Precisamos alinhar melhor nossa governança com as realidades do século XXI. Ontem chegamos a um acordo sobre um pacote de reforma inicial de Voz, Participação e Responsabilidade. É um início, mas precisamos ir mais além. Nossa Diretoria Executiva progrediu no trabalho de governança interna. Tenho a satisfação de comunicar que Ernest Zedillo concordou em presidir uma Comissão de Alto Nível para considerar uma modernização na governança do Grupo Banco Mundial para operarmos de forma mais dinâmica, eficaz, eficiente e legítima em uma economia política global transformada. Pedi a Ernesto que trabalhasse com os colegas que estão examinando o FMI. Em 1944 os arquitetos do sistema de Bretton Woods aproveitaram o momento para construir um futuro mudado. Não devemos ser menos ambiciosos hoje. A OMC e o Sistema Global de Comércio As negociações globais de comércio de Doha na OMC estão respirando ofegantes com auxílio artificial. É vital que a OMC e um sistema global de comércio não sejam enterrados com elas. As negociações comerciais continuarão em outros lugares. Recente pesquisa demonstrou de que modo as negociações do FTA são capazes de apoiar uma maior abertura dos mercados. Mas FTAs e acordos preferenciais sem base ampla podem enfraquecer a liberalização global. Elas precisam estar vinculadas a disciplinas globais. E o sistema multilateral continua a ser a única opção para eliminar a mão pesada do apoio à agricultura que deforma o comércio e que ainda está em torno de US$ 260 bilhões por ano nos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Uma opção para continuar a promover a liberalização é reconhecer a facilitação do comércio como parte de um plano de desenvolvimento. Existem oportunidades para cortar custos de comércio muito além das impostas pelas tarifas e outras barreiras comerciais. Os indicadores comerciais do relatório Doing Business (Fazendo negócios) e Logística oferecem a base para o diagnóstico. Órgãos regionais como a APEC indicaram o caminho. O Grupo Banco Mundial está ajudando os países a simplificar e harmonizar procedimentos e documentação em toda a cadeia de suprimento. Estamos atualmente preparando um Mecanismo de Facilitação do Comércio para prestar assistência técnica, reforço institucional e preparação de projetos. Podemos apoiar tanto projetos no nível de país que atendam às necessidades dos clientes como projetos multinacionais que facilitem a integração regional do comércio. E podemos ajudar na implementação de compromissos de facilitação do comércio vinculados a acordos multilaterais e regionais. Uma nova agenda de facilitação do comércio e do desenvolvimento faz que os interesses individuais de redução dos custos comerciais trabalhem em favor do interesse multilateral de incentivar maior integração, eficiências e oportunidades – o que significa mais crescimento, mais empregos e menos pobreza. Isso é multilateralismo por meio de etapas práticas, avançando onde é possível. Energia e mudança climática A Nova Rede Multilateral deve também interligar a energia e a mudança climática. Os mercados mundiais de energia estão em desordem. Os produtores, temerosos de colapsos de preços, estão cautelosos com relação a novos investimentos. Os países consumidores desejam preços menores, mas suficientemente elevados para incentivar a preservação, eficiências, suprimentos alternativos e novas tecnologias. E os países e as pessoas mais vulneráveis são vitimados por toda a confusão – atingidos por preços elevados, volatilidade de preços e mudança climática. A maior parte da produção de petróleo é hoje controlada por empresas estatais. Esses fornecedores não respondem aos sinais do mercado da mesma forma que os produtores privados. Precisamos de uma “negociação global” entre os principais produtores e consumidores de energia. Há alguns anos, a China sugeriu que os principais consumidores de energia se organizassem para lidar com mais eficácia com o cartel de produtores. Essa é uma idéia que vale a pena ser levada em consideração, embora com um propósito mais amplo. Essa negociação deve incluir, no mínimo, o intercâmbio de planos para a ampliação de suprimentos, inclusive outras opções além de energia alternativa; melhoria da eficiência e redução da demanda; oferecimento de energia às pessoas de baixa renda; e avaliação de como essas políticas estão relacionadas com as políticas de produção de carbono e mudança climática. O Grupo Banco Mundial pode desempenhar um importante papel aqui. No ano passado, nosso financiamento para projetos de energia renovável e eficiência energética nos países em desenvolvimento aumentou mais de 80% atingindo US$ 2,7 bilhões. Parte da negociação também será proporcionar uma oportunidade para que os países em desenvolvimento façam investimentos de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade diante dos preços elevados e voláteis dos combustíveis, ajudando ao mesmo tempo as pessoas de baixa renda com redes de segurança. Considerando que atualmente menos de um terço da população da África Subsaariana tem acesso à eletricidade, melhorar esse acesso aos mais pobres é um complemento crítico para investimentos em energia limpa. Tal como estamos prestando assistência aos mais vulneráveis diante dos elevados preços dos alimentos mediante a expansão da produção agrícola, precisamos ajudar os mais vulneráveis aos preços altos e voláteis da energia melhorando a eficiência, opções de suprimentos alternativos e tecnologias fora da rede e cooperação regional. A pedido dos acionistas, o Grupo Banco Mundial está desenvolvendo a iniciativa “Energia para as Pessoas de Baixa Renda”, a fim de ajudar os países mais pobres a atenderem às necessidades de energia de formas eficientes e sustentáveis. Poderíamos pensar em ampliar a negociação global. Poderia haver um interesse comum em administrar uma faixa de preços que concilie interesses durante a transição para estratégias de menor emissão de carbono, um portfólio mais amplo de suprimentos e maior segurança internacional. Entendimentos multilaterais sobre futuros de energia – que resultem em determinação clara de preços para o carbono – também devem ser vitais para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática. A mudança climática também deverá ser respaldada por novos mecanismos que apóiem a reflorestamento e evitem o desmatamento, desenvolver novas tecnologias e incentivar sua rápida divulgação, proporcionar apoio financeiro aos países mais pobres e ajudar na adaptação. Conforme discutimos ontem no café da manhã sobre Bali, precisamos reforçar os mercados de carbono. O lançamento por parte do Grupo Banco Mundial de dois novos mecanismos – O Mecanismo de Parceria do Carbono Florestal e o Mecanismo de Parceria do Carbono – ajuda-nos a apoiar clientes que estejam à procura de caminhos de desenvolvimento de baixo carbono. Há duas semanas, no intuito de ajudar a oferecer recursos adicionais para enfrentar esses desafios, o Banco Mundial patrocinou uma sessão de oferecimentos que levantou US$ 6,1 bilhões de 10 países para os novos Fundos de Investimento Climático – recursos que os países em desenvolvimento podem usar na abordagem de questões relacionadas com a mudança climática no âmbito das próprias estratégias de desenvolvimento e combate à pobreza. Estados frágeis: garantindo o desenvolvimento Em nenhum lugar do mundo a Nova Rede Multilateral é tão necessária quanto nos Estados frágeis e pós-conflito onde vive o “último bilhão”. Com demasiada freqüência a comunidade do desenvolvimento trata os Estados destruídos pela fragilidade e conflito simplesmente como casos de desenvolvimento mais difíceis. Entretanto, essas situações exigem que se olhe além da analítica do desenvolvimento para uma estrutura diferente de construção de segurança, legitimidade, governança e economia. Não se trata de segurança ou desenvolvimento comuns. Garantia do desenvolvimento é primeiro associar segurança e desenvolvimento para atenuar a transição do conflito para a paz e depois integrar a estabilidade de modo que o desenvolvimento possa consolidar-se durante mais de uma década. Somente pela garantia do desenvolvimento podemos fixar raízes suficientemente profundas para quebrar o ciclo de fragilidade e violência. Nossa avaliação de qual a melhor forma de garantir o desenvolvimento – para sintetizar a segurança, governança e economia a fim de obter mais eficácia – ainda é modesta. Enfrentamos hiatos críticos nas competências internacionais. Em última análise, o elemento mais importante nos Estados frágeis ou pós-conflito é a população desses países. Contudo, será necessária uma assistência multilateral muito mais forte e duradoura para ajudar essas pessoas a deixarem de ser vítimas para se tornarem os principais agentes da recuperação. No Banco Mundial estamos preparando parcerias novas e, assim espero, melhoradas com a colaboração das Nações Unidas e de outros. Um novo Acordo entre a ONU e o Banco Mundial sobre Princípios Fiduciários acelerará de forma significativa respostas conjuntas a crises. Estamos levando avante operações de compensação em mora desesperadamente necessárias e estabelecendo um novo Fundo de Consolidação do Estado e da Paz de US$ 100 milhões para apoiar um enfoque mais estratégico e inovador no conflito e na fragilidade. Seis temas estratégicos Senhor Presidente: No ano passado delineei seis temas estratégicos para o Grupo Banco Mundial ajudar a orientar o nosso trabalho: para os países mais pobres, especialmente da África; Estados frágeis e em situação de pós-conflito; países de renda média; bens públicos globais e regionais; expansão da oportunidade para o mundo árabe; e reforço do conhecimento e aprendizado. Esses temas estratégicos permeiam o nosso trabalho. Destaquei alguns exemplos hoje. Ao avançarmos na implementação dos seis temas precisamos continuar a integrar o combate à corrupção e a boa governança em todas as nossas atividades. O público está certo em esperar um enfoque mais acentuado na governança e combate à corrupção. A corrupção é um ônus cruel – acima de tudo para os pobres. Precisamos combatê-la onde quer que a encontremos. Fico muito agradecido a Paul Volcker e seus colegas Comissários por seu trabalho excelente – e recomendações práticas. Estamos implementando as recomendações do painel e ampliando o nosso trabalho – incluindo o fortalecimento de nosso Departamento de Integridade Institucional; criação de uma nova unidade de prevenção e consultoria para compartilhar melhor e implementar as lições aprendidas; e nomeação de um Conselho Internacional de Assessoria para ajudar a aconselhar o nosso novo Vice-Presidente. Este trabalho baseia-se nas nossas obrigações fiduciárias. Mas não termina aí. Precisamos construir uma cultura institucional de honestidade, integridade e confiança. E precisamos incentivar e ajudar nossos clientes – desde o oficial de aquisições mais jovem a Primeiros-Ministros e Presidentes – a também adotar essa cultura. Conclusão Senhor Presidente: Como recentemente observou um Diretor Executivo, desde as nossas últimas Reuniões Anuais há uma no, o Grupo Banco Mundial passou da crise à catalisador. Agora o mundo enfrenta uma crise. É o momento para o Grupo Banco Mundial agir. Temos uma base sólida de capital, forte liquidez, experiência global inigualável de alcance mundial e um quadro extraordinário de funcionários. Mas podemos e devemos fazer mais. O Grupo Banco Mundial está em sua melhor forma quando reúne perícia global, constantemente desafiada e atualizada; investimentos nas pessoas, mercados e instituições; e financiamento inovador – sempre consciente, conforme enfatizou este ano a Comissão de Crescimento, de que não há um modelo único de desenvolvimento. As circunstâncias de cada país são singulares – e especiais. Devemos ter a humildade, praticabilidade e honestidade para aprender o que funciona – e consertar o que não funciona. Neste empreendimento, o nosso maior ativo é o quadro de pessoal do Grupo Banco Mundial aqui em Washington, D.C. e em todo o mundo, que tem trabalhado incansavelmente este ano com clientes e parceiros para apoiar esses esforços. Aproveitando o talento de mais de cem países, estamos empenhados em mostrar como pessoas com experiências vastamente diversas e de culturas diferentes podem unir-se para tornar o todo maior do que a soma de suas partes. Eu realmente tenho a sorte de ganhar da riqueza de sua diversidade. E quero agradecer a esse pessoal e expressar o quanto me orgulho dele. Temos também uma Diretoria Executiva ativa com quem trabalhamos todos os dias. Ela tem oferecido orientação inestimável ao procurarmos atender às necessidades de nossos clientes, pelo que sou muito agradecido. Ao encerrar, Senhor Presidente, uma palavra sobre perspectiva: A não ser que possamos compartilhar melhor as oportunidades e responsabilidades na nova economia global; a menos que possamos olhar além de resgates financeiros; exceto se pudermos elaborar políticas internacionais que nos ajudem a integrar mais pessoas e mais países na corrente econômica, não construiremos uma globalização inclusiva e sustentável. E nosso mundo não será estável – por maior que sejam nossos pacotes de resgate financeiro. O destino oferece uma oportunidade envolta em uma necessidade: Modernizar o multilateralismo e os mercados. Precisamos aproveitá-la. Obrigado. |