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Em vista da deterioração da economia global, o Banco Mundial prevê desaceleração acentuada do crescimento no mundo em desenvolvimento em 2009 e recuperação fraca em 2010 Washington, 31 de março— A expansão do PIB no mundo em desenvolvimento cairá dos 5,8% alcançados em 2008 para um patamar projetado de 2,1% em 2009, segundo estimativas divulgadas hoje pelo Banco Mundial. Em virtude da rápida deterioração das condições financeiras e econômicas globais, o Banco reduziu para menos da metade a previsão de crescimento para os países em desenvolvimento em 2009, definida em novembro de 2008 no nível de 4,4%. A atualização das Perspectivas Econômicas Globais também indica uma expectativa de contração de 1,7% para o crescimento global este ano. Seria o primeiro declínio da produção mundial desde a II Guerra Mundial. Projeta-se um recuo de 3% do PIB nos países da OCDE e de 2% em outras economias de renda elevada. A previsão de referência do Banco Mundial indica um impulso modesto do crescimento para o território positivo em 2010 à medida que a consolidação do setor financeiro, a perda de riqueza e os efeitos secundários da crise financeira continuarem a inibir a atividade econômica. Contudo, ainda há um alto grau de incerteza quanto ao início e ritmo da recuperação. “Em todo o mundo em desenvolvimento observamos um quadro recessivo que está afetando as pessoas mais pobres, aumentando ainda mais a sua vulnerabilidade a choques repentinos, reduzindo as oportunidades disponíveis a elas e frustrando suas esperanças”, afirmou Justin Yifu Lin, Economista Chefe e Vice-Presidente Sênior do Banco Mundial para Economia do Desenvolvimento. “Esta situação pode vir a reverter anos de avanço e representa nada menos do que uma situação de emergência para o desenvolvimento.” Na atualização do relatório, o Banco sublinhou que, não obstante a provável, mas lenta, recuperação do crescimento, a atividade econômica continuará deprimida, com a persistência do desemprego e de um ajuste setorial significativo pelos próximos dois anos. “Mesmo que o crescimento global volte ao território positivo em 2010, os níveis de produção continuarão deprimidos, as pressões fiscais aumentarão e os níveis de desemprego continuarão a subir em praticamente todos os países até bem depois do início de 2011”, explicou Hans Timmer, Gerente, Tendências Globais, no Grupo de Estudo das Perspectivas de Desenvolvimento do Banco Mundial. Prevê-se uma queda de 6,1% no comércio mundial de bens e serviços em 2009, o que representaria um declínio histórico. A US$47/barril em 2009, projeta-se que os preços do petróleo manterão um nível mais de 50% inferior ao de 2008. Também se espera um patamar baixo para os preços não relacionados ao petróleo, com um recuo aproximado de 30% em relação a 2008. Projeta-se uma deterioração acentuada dos desequilíbrios fiscais nos países em desenvolvimento em decorrência da redução das receitas, do aumento dos custos de crédito e das transferências mais volumosas para a preservação das redes de segurança social. Essa conjuntura poderia tornar-se um motivo de preocupação sobretudo para os países em desenvolvimento da Europa e Ásia Central, onde o comércio e a produção sofreram uma contração dramática, o setor privado apresenta alta vulnerabilidade e as redes de segurança social têm abrangência ampla. A necessidade de financiamento externo que se observa no mundo em desenvolvimento deverá aumentar para US$1,3 trilhões em 2009, abrangendo déficits da conta corrente e quitação de principal de dívidas privadas que estão prestes a vencer. Com o declínio dos fluxos de capitais, isso geraria uma necessidade de financiamento entre US$270 e US$700 bilhões. Os déficits de financiamento mais profundos encontram-se na Europa e na Ásia Central, América Latina e África Subsaariana. Prevê-se que o crescimento do PIB mundial suba para o modesto patamar de 2,3% em 2010, mas seria difícil conter uma crise de balança de pagamentos que porventura eclodisse em uma região em desenvolvimento e esta prejudicaria a recuperação global. Outro risco é a de uma recuperação mais lenta dos mercados de crédito se os problemas do setor financeiro persistirem, o que estenderia o período de ajuste da capacidade do setor real e prolongaria o desaquecimento global. Previsões de crescimento regional
A Europa e a Ásia Central foram as regiões mais afetadas pelos recentes eventos. Projeta-se que o PIB da região sofrerá queda de 2% em 2009, comparados com o avanço de 4,2% registrado em 2008, o que representa uma redução de 4,8% na projeção de crescimento anunciada pelo Banco em novembro. Tal revisão é a mais acentuada entre as regiões em desenvolvimento. A América Latina e o Caribe também deverão sofrer uma contração do PIB em 2009, com variações entre os resultados de cada país. Em termos gerais, prevê-se uma queda de 0,6% no PIB após o ganho de 4,3% registrado em 2008. O Leste da Ásia e a Região do Pacífico deverão sofrer o maior impacto da redução do investimento e comércio global. A produção industrial e os gastos de capital já sofreram cortes expressivos. Espera-se que o crescimento do PIB recue para 5,3% em 2009 como resultado da queda brusca do crescimento na China para o patamar de 6,5% e da entrada em recessão de várias economias menores da região, inclusive a Tailândia. As perspectivas de crescimento para o Sul da Ásia foram reduzidas para 3,7% em 2009, em comparação com as previsões anteriores de 5,4% para o mesmo ano e com os 5,6% alcançados em 2008. Embora as relações de troca tenham registrado um movimento favorável para a região, com a queda nos preços do petróleo, a redução da demanda de exportações está tendo um impacto significativo. O crescimento no Oriente Médio e na África Setentrional parece ser o menos afetado entre as regiões em desenvolvimento, com as previsões anteriores de 3,3% recuando apenas 0,3%. As reduções das receitas e os cortes na produção de petróleo induzirão um recuo do PIB nos países exportadores de petróleo, dos 4,5% registrados em 2008 para 2,9% este ano. Na África Subsaariana, prevê-se que o crescimento do PIB em 2009 será reduzido para a metade dos 4,9% alcançados em 2008, caindo para 2,4%, ou seja, 1,8 pontos abaixo das previsões anteriores. A evolução dramática dos preços das mercadorias exercerá um forte impacto em vários países.
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