LUANDA, 8 de Julho de 2009--A Associação Nacional de Mulheres Rurais, popularmente chamada de Tuende – um termo que na língua local Kimbundu significa “Caminhemos juntos” – orgulha-se em promover a capacitação em comunidades rurais de Angola, no sentido de agirem junto das autoridades locais sobre temas ligados ao desenvolvimento, e para melhorarem o seu nível de vida através da agricultura.
Apoiada pelo Fundo do Banco Mundial para a Sociedade Civil (CSF), a Tuende completou recentemente um projecto que visa promover um espaço para o diálogo entre as comunidades rurais na zona de Cabiri da Província do Bengo e o governo local, para debater a pobreza rural.
Durante a implementação do projecto, a Tuende realizou uma série de workshops e reuniões destinadas a melhorar o relacionamento entre a comunidade e o poder local, e a criação de pequenas cooperativas agrícolas. Os workshops foram particularmente direccionados para as mulheres e jovens. A Tuende adoptou uma abordagem centrada na força, nas capacidades e nas vantagens positivas das comunidades e não nos seus problemas, o que se saldou em enormes benefícios para a comunidade em geral.
“Poucas de nós, mulheres beneficiárias deste projecto, tínhamos alguma vez participado numa reunião organizada pelas autoridades locais para promover o desenvolvimento social na área, mas este projecto alargou os nossos horizontes e ajudou-nos a pensar de um modo diferente,” explicou uma das participantes no projecto.
Para assegurar a sustentabilidade das suas intervenções a Tuende promoveu e coordenou a formulação do primeiro Plano Estratégico Comunitário (CSP) pela comunidade e pelos representantes da administração local. O CSP é agora a ferramenta que orienta o desenvolvimento comunitário em Cabiri. “Isto representa elevar a redução da pobreza rural a um novo nível,” afirma Ferreira José Kimonokene, Administrador Comunal de Cabiri.
No decorrer do projecto, a Tuende realizou mais de 35 acções de formação agrícola para mais de 120 beneficiárias do projecto, em parceria como o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), um departamento do Ministério da Agricultura. Os membros da Tuende realizaram 200 visitas de extensão agrícola, coordenaram a criação de uma cooperativa e estimularam a implementação do programa para a igualdade de género do Ministério de Assuntos da Mulher, naquela área.
A participação e a implementação da Tuende foi tão bem sucedida e tão completa, que ainda antes do seu terceiro mês de implementação o governo local concedeu à Associação um tractor para ajudar as beneficiárias do projecto nas suas actividades na agricultura de subsistência, como a cultura de milho e amendoim, bem como algumas alfaias agrícolas. No final da época das colheitas, quatro outros tractores foram entregues, para ajudar a intensificar o processo. Além disso, foram disponibilizados dois hectares de terra, o que permitiu às mulheres alargar as suas actividades na agricultura de subsistência.
O Administrador Comunal de Cabiri justifica estas suas acções e o apoio directo ao projecto dizendo: “O contributo da Tuende para o desenvolvimento desta comunidade foi um factor de transformação – elas merecem não só apoio material, como tractores ou terras, mas o nosso respeito por um trabalho bem feito.”
Actualmente, de acordo com a presidente da Tuende “Mamã” Margarida Solunga, mais de 250 mulheres estão em vias de se auto-organizarem em pequenas cooperativas agrícolas para promoverem a auto-ajuda e a sua confiança.
“Somos mesmo muito pobres e muitas vezes dormimos de estômago vazio, mas as mulheres da Tuende mostraram-nos uma luz ao fundo do túnel. Estamos agora em melhor posição para lutar contra as dificuldades do dia a dia,” afirma Amelsa Bia, membro de uma pequena cooperativa que está a ser formada sob os auspícios do projecto. Outra beneficiária diz: “Sempre quis melhorar a vida dos meus filhos, mas como sou pobre e analfabeta não conseguia tomar parte em qualquer actividade em Cabiri, mas a Mamã Margarida tem-nos vindo a encorajar para melhorarmos a nossa sorte.”
Nos bastidores, Mamã Margarida tem presente o importante papel dos financiadores do projecto – o CSF e o apoio do poder local na implementação do projecto de actividade cívica da associação.
“Contámos com o financiamento do Banco Mundial para garantir que os nossos esforços seriam vistos e sentidos por estas mulheres muito especiais, que dedicaram o seu tempo e o seu esforço à melhoria das suas relações com a administração local e ao sucesso deste projecto,” diz Mamã Margarida, que é a força motriz da participação comunitária que está gradualmente a tomar forma em várias comunas da Província do Bengo.
No ano fiscal 2009, sete organizações não governamentais nacionais em Angola foram comtempladas financiamentos do CSF. Depois do sucesso alcançado no ano anterior, a Tuende continuará a implementar o projecto com novo financiamento do CSF e o apoio do poder local. Nos próximos meses, a Tuende efectuará uma série de workshops, orientados não só para as mulheres, como também para os homens e os jovens. O administrador local solicitou que o projecto seja alargado a outras comunas da província.
A Tuende foi fundada em 2001 por um grupo de mulheres rurais, para contribuir para o emergente movimento cívico em Angola. A fundação da Tuende verificou-se numa altura em que surgia uma nova geração de Organizações da Sociedade Civil angolana, durante o processo de paz de Lusaka, que decorreu entre 1998 e 2002.