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O relatório do Banco Mundial-FMI afirma que a meta de redução da pobreza para o mundo em desenvolvimento será alcançada, mas prevê um pesado ônus de longo prazo decorrente da crise sobre o desenvolvimento

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Press Release No:2010/361/DEC

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WASHINGTON, April 23, 2010 —A crise econômica global retardou o ritmo de redução da pobreza nos países em desenvolvimento e está obstruindo o progresso no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), afirma um novo relatório do Grupo Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. A crise está tendo um impacto em várias áreas-chave dos ODMs, inclusive os relacionados com a fome, saúde materno-infantil, igualdade de gênero, acesso à água potável e controle de doenças e continuará a afetar as perspectivas de desenvolvimento de longo prazo muito além de 2015, afirma o Global Monitoring Report 2010: The MDGs after the Crisis (Relatório sobre o Monitoramento Global 2010: os ODMs após a crise).

Como resultado da crise, 53 milhões de pessoas permanecerão em extrema pobreza em 2015, mais do que, caso contrário, ocorreria. Mesmo assim, o relatório projeta que o número de pessoas extremamente pobres poderia totalizar aproximadamente 920 milhões em cinco anos, ou seja, um declínio significativo com relação à cifra de 1,8 bilhão de pessoas que viviam em extrema pobreza em 1990. Com base nessas estimativas, o mundo em desenvolvimento como um todo ainda está em vias de cumprir o primeiro ODM de cortar a pobreza extrema pela metade até 2015 com relação a seu nível de 1990 de 42%.

Tanto a crise de preços de alimentos de 2008 como a crise financeira que atingiu aquele ano desempenharam um papel na intensificação da fome no mundo em desenvolvimento. A meta crítica do ODM de cortar pela metade a proporção de pessoas que sofrem de fome de 1990 a 2015 tem aparentemente muito pouca probabilidade de ser conseguida, uma vez que mais de um bilhão de pessoas lutam para atender às suas necessidades básicas de alimentos, afirma o relatório.

A desnutrição entre as crianças e gestantes tem um efeito multiplicador, sendo responsável por mais de um terço do ônus de doenças de crianças menores de cinco anos e por mais de 20% da mortalidade materna. De acordo com projeções do Banco Mundial, para o período de 2009 até o fim de 2015 estima-se que 1,2 milhão de mortes adicionais poderá ocorrer entre crianças menores de cinco anos em consequência de causas relacionadas com a crise.

No entanto, estes efeitos poderiam ter sido muito mais graves sem reformas sólidas de política antes da crise, introduzidas pelos países em desenvolvimento, bem como ações firmes tomadas pelos países e instituições financeiras internacionais para contrabalançar o efeito da crise. A despesa pública em redes de segurança social parece ter permanecido relativamente estável, pelo menos em 2009 e esforços em massa por parte da comunidade internacional para limitar a contração econômica e o contágio produziram resultado.

A crise financeira foi um choque externo severo que atingiu duramente os países pobres. Os efeitos poderiam ter sido muito piores não fossem políticas e instituições melhores nos países em desenvolvimento nos últimos 15 anos”, afirmou Murilo Portugal, Diretor Gerente Adjunto do FMI. “A crise no mundo em desenvolvimento tem um impacto potencialmente sério na vida diária, uma vez que para tantas pessoas a margem de segurança é muito débil até mesmo nas melhores épocas.

Impulsionado por um sólido desempenho recente nas economias emergentes e pela recuperação do comércio global, o crescimento do PIB nos países em desenvolvimento deverá acelerar-se a 6,3% em 2010, um aumento com relação aos 2,4% em 2009, de acordo com as novas projeções do FMI constantes do relatório. Neste ínterim, prevê-se que a produção global se eleve a 4,2% neste ano, revertendo um declínio de 0,6% em 2009. Mas a recuperação ainda é frágil, com implicações para os ODMs.

“Embora os ODMs ainda estejam ao alcance em algumas regiões e países, a experiência de crises anteriores indica que o progresso humano – seja em termos de renda, nutrição, saúde ou educação – tende a declinar acentuadamente em épocas difíceis, ao passo que a recuperação em épocas favoráveis leva muito mais tempo,” afirmou Justin Yifu Lin, Economista-Chefe do Banco Mundial.

Progresso desigual nas regiões e metas

Muito antes da crise, o progresso na redução da pobreza extrema tem sido desigual no mundo em desenvolvimento. O Leste asiático presenciou uma queda vertiginosa na pobreza de 55% em 1990 para 17% em 2005 e provavelmente 6% até 2015. Na África Subsaariana, onde o ressurgimento do crescimento ajudou a pobreza extrema a cair de 58% em 1990 para 51% em 2005, o número de pobres ainda aumentou de 296 milhões para 388 milhões. Até 2015, é provável que 38% da população da região permaneçam pobres, não cumprindo o ODM 1. (Ver tabela anexa para todas as regiões.)

O progresso nas OMDs individuais também foi desigual, até mesmo antes da crise. Por exemplo, a parcela de crianças menores de cinco anos de peso insuficiente diminuiu de 33% nos países em desenvolvimento em 1990 para 26% em 2006, um ritmo muito mais lento do que o necessário para cortar esta cifra pela metade até 2015. O progresso mais lento ocorre na África Subsaariana e no Sul da Ásia, onde se verifica um retardamento do desenvolvimento de severo a moderado, afetando até 35% das crianças menores de cinco anos.

Respostas às crises e ajuda oficial

Até agora, as respostas às crises por parte de instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o FMI, têm correspondido comparativamente a seus pontos fortes e capacidades. O FMI proporcionou recursos e assessoramento político para ajudar a impedir que a crise ficasse fora de controle, ao passo que o Banco Mundial e outros bancos de desenvolvimento procuraram proteger os programas essenciais de desenvolvimento, fortalecer o setor privado e ajudar os domicílios de baixa renda. Mais de US$ 150 bilhões (dois terços provenientes do Grupo Banco Mundial) foram destinados por bancos multilaterais de desenvolvimento desde o início da crise. Até o fim de fevereiro de 201º o FMI já tinha destinado cerca de US$ 175 bilhões em apoio relacionado com a crise.

Embora a ajuda proveniente de países da Comissão de Assistência para o Desenvolvimento (DAC) da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tenha aumentado,7% em termos reais em 2009 elevando-se a US$ 119,6 bilhões, ainda está muito aquém dos compromissos anteriores, especialmente para a África Subsaariana. Excluindo-se o alívio da dívida, no ano passado a Assistência Oficial para o Desenvolvimento (ODA) aumentou 6,8% em termos reais. Neste ínterim, a assistência proveniente de doadores não relacionados com a ODA e de fontes privadas está aumentando rapidamente. E o progresso continua na redução do ônus da dívida dos países de baixa renda por meo de iniciativas do Banco Mundial e do FMI.

É preciso um sólido financiamento externo para assegurar a sustentabilidade financeira, mantendo ao mesmo tempo investimentos-chave na infraestrutura e nos setores sociais. Os países em desenvolvimento também precisam continuar a emparelhar o apoio externo às reformas internas, a fim de tornar a despesa pública e a prestação de serviços mais eficientes, conclui o relatório.

Os jornalistas terão acesso ao material embargado via Centro de Informações On-Line para a Mídia nowebsite: http://media.worldbank.org/secure
Os jornalistas acreditados que não dispuserem de senha poderão obtê-la cadastrando-se no website: http://media.worldbank.org/
O relatório e as atualizações sobre o progresso no cumprimento dos ODMs serão disponibilizados ao público após o embargo no website: www.worldbank.org/gmr2010

O progresso na redução da pobreza extrema varia amplamente entre as regiões

Cenário:

Região ou país

1990

2005

2015

2020

 

1990

2005

2015

2020

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tendências após a crise

 

Percentagem da população que vive com menos de US$ 1,25 por dia

 

Número de pessoas que vivem com menos de US$ 1 por dia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leste Asiático e Pacífico

54,7

16,8

5,9

4,0

 

873

317

120

83

 

China

60,2

15,9

5,1

4,0

 

683

208

70

56

 

Europa e Ásia Central

2,0

3,7

1,7

1,2

 

9

16

7

5

 

América Latina e Caribe

11,3

8,2

5,0

4,3

 

50

45

30

27

 

Oriente Médio e Norte da África

4,3

3,6

1,8

1,5

 

10

11

6

6

 

Sul da Ásia

51,7

40,3

22,8

19,4

 

579

595

388

352

 

Índia

51,3

41,6

23,6

20,3

 

435

456

295

268

 

África Subsaariana

57,6

50,9

38,0

32,8

 

296

387

366

352

 

Total

41,7

25,2

15,0

12,8

 

1,817

1,371

918

826

 




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