Peritos Discutem o Cenário em Mutação do VIH/SIDA em África
na XVII Conferência Internacional da SIDA
Um novo relatório destaca a necessidade de adaptação às novas realidades
Cidade do México, 4 de Agosto de 2008 — Um relatório do Banco Mundial, divulgado hoje, destaca o modo como a epidemia e o ambiente da SIDA estão a evoluir rapidamente e realça a necessidade de uma resposta ao VIH/SIDA em África, localizada e informada pelas evidências. O relatório “The Changing HIV/AIDS Landscape” (Cenário em Mutação do VIH/SIDA em África) explora uma vasta gama de questões, desde a dinâmica da transmissão ao desenvolvimento económico e à sustentabilidade financeira de intervenções de VIH/SIDA num ambiente de dadores complexo. As conclusões do relatório sublinham a necessidade de um compromisso político e de uma liderança ainda mais globais e a nível de país. O Banco encomendou os estudos deste relatório com vista a desenvolver a sua nova estratégia de VIH/SIDA para África. Vários dos autores vão reunir-se hoje na Conferência Internacional da SIDA na Cidade do México para discutir as conclusões e a melhor forma de as endereçar.
Face à rapidez com que a epidemia está a mudar, todos os parceiros globais e locais – incluindo o Banco – têm de tentar entender melhor os agentes impulsionadores da epidemia e “pôr o dinheiro a render” em prol dos beneficiários. Os recursos têm de ser investidos em intervenções eficazes, com maior probabilidade de resultados, dadas as características da epidemia local. Através de estudos analíticos contidos em The Changing HIV/AIDS Landscape (Cenário em Mutação do VIH/SIDA em África) e Africa HIV/AIDS Agenda for Action ( Plano de Acção para o VIH/SIDA em África), o Banco Mundial comprometeu-se a desempenhar um papel importante no que toca a assistir os países a tornarem mais rentável os fundos destinados ao VIH/SIDA e a acelerarem a consecução das Metas de Desenvolvimento do Milénio.
"Não é possível falar de um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável em África sem um compromisso simultâneo com a luta duradoura contra a SIDA, a maior causa individual de morte prematura no continente", afirmou o Presidente do Grupo Banco Mundial Robert B. Zoellick. “Podemos ver o esforço inicial dos países para conseguirem controlar a SIDA e temos de aprender com estes exemplos, multiplicar estes resultados e ser inexoráveis no combate a esta doença”.
A partir de 2000, o Banco Mundial forneceu mais de USD 1 600 milhões a mais de 30 países na África Subsariana para combater a epidemia.
O novo relatório oferece novas perspectivas sobre as novas realidades e desafios epidemiológicos relativamente a opiniões comummente aceites. Questionar a “sabedoria convencional” sobre VIH/SIDA força os responsáveis pela formulação de políticas a repensarem e debaterem as medidas de prevenção. É algo de importância crucial porque os conceitos errados sobre a epidemia podem prejudicar seriamente os esforços destinados a combater a doença.
Algumas das conclusões fundamentais do The Changing HIV/AIDS Landscape incluem:
- Uma das grandes razões para os trabalhadores da saúde abandonarem o serviço público é a falta de protecção contra o VIH, incluindo a utilização normal de equipamento protector e de acesso a profilaxia após exposição ao vírus.
- A pobreza está normalmente associada com o VIH/SIDA mas, a nível individual, o VIH/SIDA está associado com comportamentos e características demonstradas por pessoas de nível económico mais elevado, tais como a existência de mais parceiros sexuais simultâneos, mobilidade geográfica e urbanização.
- O tratamento de uma vida inteira custa cerca de USD 5 600 em África, enquanto o custo de prevenção de uma nova infecção orça os USD 2 000 e prevê-se que venha a diminuir com o tempo.
O relatório realça o entendimento de questões tais como:
- As taxas de infecção continuam a ser superiores ao acesso ao tratamento, com cinco novas infecções por cada duas pessoas que conseguem ter acesso ao tratamento.
- A necessidade de integrar serviços de VIH/SIDA nos serviços de saúde geral e reprodutora, perante taxas de co-infecção com a tuberculose e a oportunidade demasiadas vezes perdida de se tratar o VIH/SIDA quando, por exemplo, as mulheres procuram cuidados de saúde.
- O papel crítico das comunidades na consecução do acesso universal à prevenção, cuidados e tratamento.
"Sistemas de saúde que funcionem eficaz e eficientemente também têm uma importância crítica para o acesso universal", refere Elizabeth Lule, gestora de AIDS Campaign Team for Africa do Banco Mundial (ACTafrica). "Sem eles, é pouco provável que se alcance o acesso universal ao tratamento". Acrescenta ainda que "o aumento de financiamento para o VIH/SIDA oferece oportunidades sobranceiras para o reforço mais vasto dos sistemas nacionais e a criação de capacidade na sociedade civil destinada a dar resposta aos motores sociais da epidemia, tais como as desigualdades entre os géneros".
O relatório conclui que nações, dadores e comunidades precisam de entender as suas epidemias específicas, basearem-se na evidência para determinar intervenções apropriadas e fazerem uma melhor coordenação quando definem as prioridades.
Antecedentes: Agenda for Action on HIV/AIDS in Africa do Banco Mundial
Em 2006, era claro para a chefia do Banco Mundial que muito tinha mudado, que os países e parceiros tinham entrado numa nova fase e que o Banco precisava de repensar a sua abordagem, ajustando-se ao novo ambiente no terreno bem como a outras mudanças em curso. ACTafrica levou a cabo um processo de consultas de grande alcance para desenvolver a sua nova abordagem, passando de uma resposta de emergência para uma abordagem sustentável, de longo prazo. Este esforço culminou numa nova estratégia para uma resposta multissectorial, envolvendo parceiros múltiplos, para a situação da SIDA em África: The World Bank's Commitment to HIV/AIDS in Africa: Our Agenda for Action, 2007 – 2011 (O Compromisso do Banco Mundial com o VIH/SIDA em África: O Nosso Plano de Acção para 2007-2011).
Os novos objectivos estratégicos do Banco, nesta área, incluem: aconselhar os países quanto à melhor forma de integrar o VIH/SIDA nas suas agendas de desenvolvimento nacional; ajudar os países a acelerar a implementação e a adoptar uma resposta de desenvolvimento sustentável, de longo prazo, ao VIH/SIDA; reforçar a capacidade de monitorização e avaliação dos países para detectarem a eficiência, eficácia e transparência da sua resposta ao VIH/SIDA; e criar sistemas fiduciários e de saúde mais sólidos. A implementação da nova estratégia começou no final de 2007.
O Banco Mundial é um dos dez co-patrocinadores da ONUSIDA, a par da OIT, ACNUR, UNICEF, PNUD, UNESCO, UNODC , UNFPA, PAM e OMS.